Hélio Oiticica é tema de encontro que reunirá arte, pesquisa, produção e experiências

O pensamento experimental de Hélio Oiticica chega ao centro do debate artístico brasileiro nos dias 21 e 22 de março, quando o Parque Cultural Casa do Governador, em Vila Velha, realiza o seminário “Só o experimental me interessa: 46 anos da morte de Hélio Oiticica”. Conforme ES Hoje antecipou ainda em janeiro de 2026, o espaço cultural passa a contar com a instalação “Magic Square #3 – Invenção da Cor”, obra emblemática do artista. Para celebrar, mais do que enaltecer a história de Oiticica, um encontro focado na construção de um espaço de reflexão, pesquisa e experimentação coletiva em torno do legado do artista.

De acordo com Nathan Braga, diretor de Educação do parque, a proposta do seminário nasce da necessidade de manter vivo o pensamento de Hélio Oiticica e suas implicações para o campo da arte e da educação. “Hélio Oiticica nos ensinou que a arte pode ser experiência, encontro e invenção de vida. Organizar esse seminário é uma forma de manter esse pensamento vivo hoje, especialmente com a criação da Arena H.O, um espaço onde o setor de educação se reconhece e é reconhecido como lugar de pesquisa, de produção de sentidos e de troca de conhecimento em torno de sua obra”.

A Arena H.O funcionará como um ambiente de compartilhamento de estudos, documentos e reflexões produzidas pela equipe da Escola Viva de Artes, ampliando o acesso público às investigações sobre a obra do artista.

Encontro nacional

Durante dois dias, o seminário reunirá alguns dos principais nomes da crítica, da curadoria e da produção artística contemporânea brasileira. Participam das mesas o cineasta Cesar Oiticica Filho, a curadora Lisette Lagnado, o crítico Paulo Herkenhoff, a pesquisadora Fernanda Lopes, o artista Nuno Ramos, entre outros convidados. Os debates abordarão temas centrais do pensamento de Oiticica, como o conceito de Crelazer, a dissolução das fronteiras entre arte e vida, as redes afetivas que marcaram sua trajetória e a permanência da experimentalidade como força vital da arte brasileira.

Hélio Oiticica é tema de encontro que reunirá arte, pesquisa, produção e experiênciasSegundo Mirella Schena, coordenadora Artístico-Cultural do Casa do Governador, o encontro foi pensado como uma experiência coletiva de pensamento e convivência.

“Organizamos esse seminário como um espaço de pensamento e de vivência coletiva, partindo dos temas que atravessam a obra de Oiticica. Trazer nomes tão fundamentais da arte contemporânea brasileira para dialogar em Vila Velha e inaugurar conosco essa obra tão importante do Hélio reforça nossa missão e compromisso com a difusão e democratização da arte e da educação”.

O ponto alto da programação acontece no sábado, 21 de março, às 16h, com a inauguração de Magic Square #3 – Invenção da Cor, instalação concebida por Oiticica nos anos 1970. A obra consiste em um percurso formado por paredes e planos cromáticos monumentais, que criam um labirinto sensorial onde o visitante deixa de ser apenas observador para tornar-se participante da experiência artística.

Hélio Oiticica é tema de encontro que reunirá arte, pesquisa, produção e experiênciasOmar Salomão, curador do parque e também organizador do seminário, explicou que o trabalho sintetiza de forma exemplar a radicalidade da pesquisa de Oiticica. “Magic Square – Invenção da Cor sintetiza de certa forma toda a investigação revolucionária que Hélio Oiticica trouxe para o mundo das artes plásticas. Cinquenta anos depois de sua invenção, a obra continua impressionante pela força de sua proposta: retirar a cor do quadro e fazer com que as pessoas vivenciem a própria cor”.

Salomão explica que a experiência proposta pelo artista altera a percepção espacial do visitante. “Quando você entra nesse conjunto de paredes gigantescas de cor, perde os limites tradicionais da pintura. Você já não vê apenas formas ou dimensões — você se perde nas cores. É um labirinto cromático, uma experiência única”.

Segundo ele, o próprio título da obra revela outra dimensão do projeto. “Magic Square pode ser entendido também como praça. Não é apenas um espaço de arte, mas um espaço de encontro. A obra fala dessa possibilidade de se perder e se encontrar — algo que pertence profundamente à experiência da cidade”, finalizou.

O Espírito Santo encontra Hélio Oiticica: arte, paisagem e experiência

 

Giuliano de Miranda
Giuliano de Miranda
Historiador , professor, mestre em Artes e doutorando em Artes pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), com atuação nas relações entre arte, cidade e memória. Pesquisador do Laboratório de Extensão e Pesquisa em Artes (LEENA)/Ufes e especialista em arte pública.

Você por dentro

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

Escolha onde deseja receber nossas notícias em primeira mão e fique por dentro de tudo que está acontecendo!

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas

Notícias Relacionadas