A pesquisadora em dança, artista multimídia e produtora cultural Endi, de Vitória, vive um momento de expansão em sua trajetória. Com atuação que atravessa corpo, performance e linguagem audiovisual, a criadora capixaba consolida uma nova etapa com o lançamento da marca Ocito, plataforma sob a qual passa a reunir e organizar seus projetos autorais.
Pessoa com deficiência — tem visão monocular —, Endi desenvolve desde 2016 uma investigação artística centrada no corpo como território de tensão e possibilidade. Sua produção parte da experiência física como espaço de embate entre normas sociais e impulsos de autonomia, dialogando com temas como dissidência, espiritualidade e perspectivas de futuro. Em sua pesquisa, o movimento não aparece apenas como recurso estético, mas como ferramenta crítica e campo de elaboração política.
Formada em Dança Contemporânea pela FAFI, teve passagem pela Licenciatura em Dança da UFBA e iniciou sua trajetória no balé ainda na infância. Ao longo dos anos, integrou diferentes coletivos de pesquisa e criação. Entre 2015 e 2017, participou do grupo Marés – Pesquisa em Dança. Desde 2018, atua no Corpocêntrica – Grupo de Experimentações do Corpo, onde permanece desenvolvendo investigações práticas. Também esteve envolvida em ações de produção cultural na Casa Caos, espaço independente localizado no Centro de Vitória.
Um dos projetos em curso é a websérie documental “Sou um corpo que dança”, dedicada a artistas da dança que atuam na capital capixaba. A produção combina depoimentos e videodança, buscando construir um registro sensível sobre diferentes trajetórias e modos de criação na cidade. A direção é assinada por Endi em parceria com Marcus Supeleto. Dois episódios já estão disponíveis no YouTube, e o terceiro — que encerra a primeira temporada — será lançado no dia 15 de fevereiro, no canal vinculado à Ocito.
Outra frente de trabalho é o espetáculo “Célula”, atualmente em processo de montagem, com estreia prevista para o fim de março de 2026. O projeto parte da pesquisa de Endi sobre corpo e movimento e se desenvolve como criação coletiva. A obra dialoga com conceitos como “corpo dócil” e “corpo sem órgãos” para refletir sobre os modos de organização do sistema produtivo contemporâneo e sobre os impactos subjetivos gerados pela busca constante de adequação às exigências do capitalismo. A produção é assinada pela Ocito em parceria com a Cafetinaria Produções.
Também em fase de desenvolvimento está o curta-metragem “.zero” (ponto zero), obra de ficção científica que combina cinema e dança. O filme tem direção compartilhada entre Endi e Marcus Supeleto e encontra-se na etapa de pós-produção, ainda sem data definida para lançamento. A escolha pelo gênero dialoga com uma dimensão recorrente na pesquisa da artista: a ideia de futuridades.
Os três projetos — a websérie, o espetáculo e o curta — são realizados com recursos do Funcultura, programa de incentivo da Secretaria da Cultura do Espírito Santo (Secult-ES). Ao concentrar suas criações sob a marca Ocito, Endi organiza um núcleo próprio de produção, articulando investigação teórica, prática corporal e audiovisual. Com atuação que transita entre palco, câmera e bastidores, a artista reafirma a dança como linguagem capaz de dialogar com questões sociais contemporâneas, tensionando estruturas e ampliando os modos de presença do corpo na cena cultural capixaba.









