Guilherme José Brickwedde, conhecido como “Seu Willy”, estaria completando 100 anos este ano. Ele era um músico muito conhecido em Domingos Martins e suas canções ainda ecoam pelas montanhas e ruas da cidade, em festas e cerimônias locais.
Para manter sua história viva, a exposição no antigo Hotel Imperador foi inaugurada em março deste ano, como forma de homenagear o músico. A mostra reúne registros históricos, partituras, instrumentos e documentos que relembram a trajetória de um dos maiores nomes da cultura local. A visitação é gratuita e segue até a próxima terça-feira (15).
Seu nome é sinônimo de respeito, e o som de sua banda permanece como uma memória viva de sua paixão pela arte. A contribuição de Willy, como afirmam amigos e colegas, vai além da música, estendendo-se à construção de uma tradição cultural transmitida de geração em geração.
Quem foi Sr. Willy
Nascido em 2 de março de 1925, Seu Willy foi um pilar do desenvolvimento cultural de Domingos Martins, especialmente na música. Autodidata, aprendeu diversos instrumentos e fundou, em 1957, a Banda Cultural Martinense, que se tornou um símbolo da comunidade.
Além de talentoso músico, compôs obras marcantes como o Hino do Município de Domingos Martins e o Hino do Centenário da Igreja Luterana. Também se destacou como poeta e contista e foi idealizador do tradicional Carnaval de Rua de Campinho.
Sob sua liderança, a banda reuniu cerca de 200 músicos, sempre mantendo um espírito de união e voluntariado. Seu último desejo “Não deixem a banda morrer”, segue sendo honrado pelos atuais regentes, Jarbas Rocha e Pablo Monteiro de Assunção, e pelos 19 integrantes do grupo.
Ronaldo Salles de Sá, integrante do Grupo Cultural Martinense, destaca a eterna influência de Willy. “O legado dele continua a nos influenciar, mantemos as músicas que ele compôs e o espírito de adaptação que ele nos ensinou”, explica.
O músico também relembra que o maestro sempre dizia que o importante era o que se ouvia, e não o que estava escrito, pois a execução precisava fazer sentido para o grupo. “Hoje, estamos ampliando nosso trabalho com parcerias, como a realizada com o Sicoob, o que permite a interação com grupos de dança, algo que ele sempre desejou”, afirma.
Ronaldo também compartilha suas lembranças pessoais. “Convivi com ele por cerca de 12 anos e fui sempre muito bem recebido. Ele era rigoroso, mas justo e carismático. Sua maior preocupação era manter a música viva. Hoje, seguimos renovando o grupo e atraindo novos músicos para manter essa memória viva”, conclui.
Além de seu trabalho musical, Willy sempre valorizou a cultura local, resgatando canções de raiz alemã e italiana, além de composições sacras que ainda são executadas nas celebrações da Igreja Luterana. Desde a primeira apresentação do grupo na Festa da Colheita, em 1957, essa tradição é mantida, e o grupo também participa todos os anos da Festa de Corpus Christi em Paraju.
O centenário de Guilherme José Brickwedde é uma celebração de um legado imensurável. Seu amor pela música e pela cultura continua vivo em cada nota tocada pela Banda Cultural Martinense e em cada pessoa que teve o privilégio de conhecê-lo.









