Começa nesta sexta-feira (3) o 11º Festival de Música Erudita do Espírito Santo, inovando na realização de obras de compositoras, repertórios pouco conhecidos do público, principalmente dos séculos XX e XXI, na música brasileira e na participação de músicos capixabas. Os programas trazem obras e artistas que representam diversidade de gêneros, culturas e orientações estéticas, inclusive com a estreia de quatro obras encomendadas especialmente pelo Festival a autores e autoras brasileiras.
O Festival sempre propõe um eixo temático, que este ano foi trazido pelo curador convidado João Luiz Sampaio, e é provocado por uma pergunta: como é por dentro uma pessoa? A programação procura refletir sobre o ouvir, a nós mesmos e à diferença. Os concertos e espetáculos acontecem de 3 a 25 de novembro no Teatro Sesc Glória e na Casa da Música Sônia Cabral, além de transmissão ao vivo pelo canal do evento no YouTube.
O projeto também dá continuidade aos Concertos Itinerantes, parte de um conjunto de iniciativas voltadas para a integração de comunidades e setores da sociedade que não têm acesso às salas de espetáculo ou espaços culturais. O Festival é dirigido por Tarcísio Santório e Natércia Lopes, com direção artística de Livia Sabag, assessoria musical de Gabriel Rhein-Schirato e correalização da OSES – Orquestra Sinfônica do Espírito Santo.
“O 11° Festival de Música Erudita do Espírito Santo tem o propósito de promover a música erudita como possibilidade de desenvolvimento humano e econômico. Acreditamos que através das diferentes ações do Festival, estamos exercendo nosso desejo de impulsionar vidas através da cultura, fomentando um futuro melhor para a sociedade” – comenta Glauco Paiva, gerente executivo de Comunicação e Responsabilidade Social da Shell Brasil, patrocinador do evento.
A programação abre com uma das obras especialmente encomendadas para o Festival. A ópera “Contos de Júlia”, do compositor Marcus Siqueira e da libretista Veronica Stigger, leva ao palco personagens inspirados na obra da escritora brasileira Júlia Lopes de Almeida. Vivendo na passagem dos séculos XIX e XX, ela foi pioneira no sentido de dar voz a personagens femininos às voltas com a violência e o preconceito da sociedade. O espetáculo conta com a direção musical e a regência do maestro Gabriel Rhein-Schirato, à frente da Orquestra Sinfônica do Espírito Santo. Dias 3 e 5 de novembro, no Teatro Sesc Glória.
No dia 10 de novembro, desta vez na Casa da Música Sônia Cabral, a Orquestra Jovem Vale Música apresenta um programa dedicado às crianças. O grupo vai interpretar um repertório formado por obras que evocam a infância e o diálogo entre a música clássica e as manifestações regionais. No repertório Simple Symphony op. 4, de Benjamin Britten; Suíte Infância Brasileira, de ElodieBouny; Esboços – Cenas Pitorescas op. 38, de Leopoldo Miguez e Invenções Brasileiras nº 2, que Juliana Ripke escreveu a convite do evento. Já no dia 11, no mesmo local, concerto do consagradíssimo pianista Cristian Budu, que vai mergulhar em obras do período romântico interpretando composições de Beethoven, Robert Schumann, Clara Schumann, Fanny Mendelssohn e Liszt.
Ainda na Casa de Música Sônia Cabral, no dia 17, uma reflexão sobre a guerra e a intolerância, mas com um olhar na sobrevivência por meio da arte e da poesia. No programa, obras do português Fernando Lopes-Graça, da coreana Younghi Pagh Paan e das americanas Margareth Bonds e Margareth Brouwer interpretadas pelo barítono Homero Velho, a pianista Priscila Bomfim e a trompetista Uriel Borges. No programa outra estreia de obra encomendada do Festival, “Manadas abrem com fogos os caminhos”, que Leonardo Martinelli escreveu a partir de texto da poeta brasileira Júlia Hansen. Também na Casa de Música Sônia Cabral, no dia 18, a obra “Passionis de Flamma”, canções em que Eli-Eri Moura narra as histórias de três mulheres brutalmente assassinadas, sendo contrastada com a obra Femmes de Légende, de Mel Bonis, na qual em cada passagem é evocada uma grande personagem feminina da história da arte. Para tal expressividade foram convidadas a pianista Erika Ribeiro e a soprano Débora Faustino, num recital de pura resistência feminina e contra o silenciamento da mulher compositora.
Ainda na Sônia Cabral, dia 24, um recital que propõe um olhar para as histórias e as vidas que cotidianamente encontramos no espaço público. Para isso, obras das autoras iraniana Niloufar Nourbakhsh, da chinesa Joyce Tang, da francesa Lili Boulanger e a estreia de “Poço de Dentro”, escrita pela brasileira Thais Montanari interpretadas pelo Quarteto Bratya junto da harpista Maíni Moreno. Não por acaso, esse espetáculo circulará por outros espaços da grande Vitória. O concerto de encerramento do Festival acontece no Teatro do Sesc Glória, no dia 25, com a Orquestra Sinfônica do Espírito Santo, sob regência do maestro Helder Trefzger ao lado dos vencedores do 2º Concurso de Canto Natércia Lopes, homenageando essa importante personalidade da vida musical capixaba.
Para além dos concertos nas salas de espetáculo, o Festival também promove um conjunto de iniciativas voltadas às comunidades e setores sociais que não têm acesso a esses espaços culturais. O Pequeno Teatro do Mundo apresentará uma versão para marionetes da ópera infanto-juvenil Onheama, de João Guilherme Ripper, inspirada em lendas amazônicas, em escolas, comunidades de povos originários do congo e quilombolas do interior do estado do Espírito Santo. O projeto Concertos Itinerantes levará diferentes repertórios para asilos, escolas e espaços públicos da Grande Vitória com o Quarteto de Cordas Bratya e a harpista Maíni Moreno.
Ainda na linha do fomento, outro projeto de vital importância é o Ópera-cional voltado à capacitação profissional para pessoas interessadas em atuar nas funções técnicas da produção de espetáculos operísticos, que acontece entre 27 de outubro e 5 de novembro, com orientação de Herla Ferla. Também integrou a programação deste ano o projeto VOE – Vitória Ópera Estúdio. Em sua quarta edição, trata-se de um programa de formação e aperfeiçoamento profissional para estudantes e profissionais da área de ópera, criado por Livia Sabag e Tarcísio Santório, em 2014. Além do 2° Concurso de Canto Natércia Lopes, criado para fomentar o canto lírico no Brasil.
Seguindo a sua tradição anual, o Festival homenageará, nesta edição, a compositora Marisa Rezende e a Orquestra Camerata SESI.
A realização é da Cia de Ópera do Espírito Santo (COES), da Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo, Governo Federal, através da Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio máster da Shell, patrocínio ouro do Instituto Cultural Vale, apoio institucional da Fecomercio/Sesc e correalização do Governo do Estado do Espírito Santo, através da OSES – Orquestra Sinfônica do Espírito Santo, Secretaria de Estado da Cultura.









