O início de 2026 trouxe um sinal de atenção para a economia da Grande Vitória. Em janeiro, o custo da cesta básica em Vitória subiu 2,15% em relação a dezembro de 2025, alcançando R$ 742,85, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, elaborada pelo DIEESE em parceria com a Conab. O avanço coloca a capital capixaba entre as cidades com variação mais expressiva no país e reforça o impacto da inflação de alimentos sobre o poder de compra das famílias urbanas.
Na comparação anual, entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, a cesta básica em Vitória acumulou alta de 1,03%. Embora moderado, o índice ocorre em um contexto de renda pressionada, juros ainda elevados e consumo mais cauteloso, fatores que influenciam diretamente o ritmo da atividade econômica no Espírito Santo, especialmente nos setores de comércio e serviços, fortemente concentrados na Região Metropolitana.
Pressão sobre renda e consumo
Os dados mostram que o trabalhador de Vitória, remunerado pelo salário mínimo de R$ 1.621, precisou dedicar 100 horas e 49 minutos de trabalho para adquirir a cesta básica em janeiro. Apesar de uma melhora em relação a dezembro, quando eram necessárias mais de 105 horas, o comprometimento da renda ainda é elevado: 49,54% do salário mínimo líquido foi destinado apenas à alimentação básica.
Esse cenário reduz a margem para consumo de outros bens e serviços, afetando diretamente a dinâmica econômica da Grande Vitória. Setores como varejo, lazer e serviços pessoais tendem a sentir os efeitos de uma renda mais restrita, enquanto empresas lidam com um consumidor mais sensível a preços.
Alimentos que puxaram a alta
Entre os itens que mais pressionaram o custo da cesta na capital capixaba, o tomate registrou alta expressiva de 56,02% no mês, seguido pela batata (4,22%), pão francês (1,11%), café em pó (0,73%) e feijão preto (0,19%). Por outro lado, produtos relevantes para o orçamento familiar, como arroz, feijão, leite integral e óleo de soja, apresentaram queda, o que ajudou a conter uma alta ainda maior.
No acumulado de 12 meses, chama atenção a elevação significativa de itens como café em pó (32,46%), tomate (26,51%) e batata (17,03%), enquanto alimentos básicos como arroz e feijão registraram fortes recuos, superiores a 35%. A combinação revela um cenário de inflação seletiva, com impactos distintos sobre os hábitos de consumo das famílias.
Reflexos para o Espírito Santo
Para o Espírito Santo, os números reforçam desafios estruturais. A Grande Vitória concentra boa parte da população economicamente ativa e do consumo estadual. Assim, a elevação do custo de vida na capital tende a se espalhar para municípios vizinhos, influenciando negociações salariais, estratégias empresariais e políticas públicas.
Além disso, o levantamento nacional indica que, em janeiro, o custo da cesta básica aumentou em 24 das 27 capitais brasileiras, sinalizando que a pressão sobre alimentos é um fenômeno disseminado. Para a economia capixaba, que depende fortemente do comércio, dos serviços e da renda do trabalho, o comportamento dos preços seguirá como variável-chave para o desempenho ao longo de 2026.
Em um ambiente de atenção redobrada ao custo de vida, o desafio para o Estado será equilibrar crescimento econômico, geração de renda e políticas que minimizem os efeitos da inflação sobre as famílias da Grande Vitória.











