O custo da cesta básica voltou a subir em março na capital capixaba. Em Vitória, o conjunto dos alimentos básicos chegou a R$ 790,19, com alta de 4,5% em relação a fevereiro, segundo levantamento do Dieese em parceria com a Conab.
O valor coloca a capital entre as mais caras do país — na sétima posição — e exige do trabalhador mais da metade da renda mensal: cerca de 52,7% do salário mínimo líquido. Na prática, isso significa que um capixaba precisou trabalhar aproximadamente 107 horas só para garantir a alimentação básica.
O aumento em Vitória acompanha uma tendência nacional. Em março, todas as 27 capitais pesquisadas registraram alta no preço da cesta básica. As maiores elevações ocorreram em cidades do Norte e Nordeste, como Manaus, Salvador e Recife, mas os maiores custos continuam concentrados nas capitais do Sudeste e Sul.
A cesta mais cara do país foi registrada em São Paulo, onde chegou a R$ 883,94. Já os menores valores foram observados em Aracaju (R$ 598,45) e outras capitais nordestinas.
Pressão vem dos alimentos do dia a dia
Em Vitória, alguns dos itens mais consumidos puxaram a alta. A batata disparou, com aumento expressivo influenciado pelas chuvas, que prejudicaram a colheita. O tomate também subiu em todo o país, impactado pela menor oferta.
Outro vilão foi o feijão, que ficou mais caro devido à redução da área plantada e dificuldades na produção. A carne bovina também teve aumento na maior parte das capitais, pressionada pela demanda interna e pelas exportações.
Já o leite apresentou alta na maioria das cidades, reflexo da entressafra, enquanto o açúcar foi um dos poucos itens com queda de preço.
Salário mínimo segue insuficiente e tendência preocupa
Com base no custo da cesta mais cara do país, o Dieese estima que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.425,99 em março — mais de 4,5 vezes o valor atual, de R$ 1.621.
O impacto no orçamento é direto: em média, os brasileiros comprometeram 48,12% da renda líquida apenas com alimentação básica no mês passado — percentual maior do que o registrado em fevereiro.
No acumulado do ano, Vitória já registra alta de 8,66% na cesta básica. Em 12 meses, o avanço é de 3,57%, indicando que, apesar de oscilações pontuais, o custo de vida segue pressionando o orçamento das famílias.
Resumo do recado, sem rodeio: comer continua ficando mais caro — e no Espírito Santo, isso já pesa forte no bolso de quem ganha salário mínimo.









