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Setor de rochas quer alcançar US$ 3 bilhões em exportações até 2030

O desempenho histórico de US$ 1,48 bilhão em exportações em 2025 fez o setor brasileiro de rochas naturais estabelecer uma meta ambiciosa: atingir US$ 3 bilhões em comercialização externa até 2030. E foi em Brasília, durante sessão solene em homenagem ao segmento, realizada no plenário da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (11) que a Centrorochas (Associação Brasileira de Rochas Naturais) apresentou os pleitos para viabilizar esse crescimento. A cerimônia, inédita, foi proposta pela bancada federal do Espírito Santo, maior estado exportador de rochas naturais do País, e reuniu autoridades, lideranças empresariais Sindicato das Indústrias de Rochas Ornamentais, Cal e Calcário do Espírito Santo (Sindirochas) e a Associação de Atividades Sociais do Setor de Rochas Ornamentais do Espírito Santo (Rochativa).

O presidente da Centrorochas, Tales Machado, destacou que os resultados expressivos obtidos são fruto de uma cadeia produtiva organizada, altamente internacionalizada e presente em todas as regiões do país. Tales destacou a resiliência, competitividade e capacidade de geração de divisas mesmo em um cenário internacional desafiador como a partir de junho de 2025, com a imposição pelos Estados Unidos de uma sobretaxa de 50% sobre rochas brasileiras (mármore/granito). O presidente afirmou que o momento exige um ambiente regulatório mais ágil, previsível e alinhado à realidade operacional para transformar esse desempenho em um novo ciclo de desenvolvimento.

Entre os pleitos apresentados está a necessidade urgente de maior agilidade e previsibilidade no licenciamento mineral e ambiental, hoje considerado um dos maiores entraves à expansão do setor. Atualmente, o prazo para obtenção de uma autorização oficial para exploração mineral em caráter permanente pode chegar a oito anos e meio, tempo que o setor considera incompatível com a dinâmica de um mercado globalizado.

Outro ponto central é a infraestrutura logística, fundamental para um setor intensivo em transporte de cargas pesadas. Avanços em projetos portuários e rodoviários são considerados estratégicos para reduzir custos, aumentar a eficiência e ampliar a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional. “O Porto da Imetame, previsto para 2028, é importante e merece apoio institucional”, mencionou o presidente Tales Machado.

Ele também defendeu a modernização da regulamentação do transporte de rochas. Atualmente, o segmento enfrenta restrições específicas de peso bruto total que não se aplicam a outros setores da indústria, impactando diretamente a competitividade.

Como pleito estratégico, o setor pediu a inclusão do Sul do Espírito Santo na área de abrangência da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste). “Não se trata de um pedido por privilégio, mas por equidade. Estamos falando do berço histórico do setor, uma região altamente industrializada, exportadora e geradora de empregos, que pode acelerar investimentos e ampliar ainda mais sua contribuição ao desenvolvimento nacional”, pontuou Tales Machado.

O proponente da cerimônia, o deputado federal Evair de Melo (PP-ES) ressaltou que o Estado é referência internacional em beneficiamento, exportação e qualidade e que possui um dos parques industriais mais modernos do mundo. “O setor fortalece a balança comercial brasileira e produz com responsabilidade, gerando desenvolvimento econômico com sustentabilidade. Temos que dar as mãos para esse setor estratégico. Temos que ter orgulho da indústria, temos que nos posicionar sempre e melhorar o ambienta de negócios com segurança jurídica. Apoiar o setor é fortalecer o Espírito Santo, defender empregos e exportações”, afirmou.

Setor de rochas quer alcançar US$ 3 bilhões em exportações até 2030

O deputado federal Josias Da Vitória (PP-ES) presidiu a sessão. “Para os capixabas, o setor é sinônimo de desenvolvimento, geração de empregos e oportunidades por todo o Estado. Mas, para que continue crescendo, é fundamental que o poder público faça a sua parte. Precisamos garantir um ambiente regulatório equilibrado, com segurança jurídica, regras claras e políticas públicas que dialoguem com a realidade de quem produz, investe e gera empregos”, destacou.

Falaram ainda a secretária Nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Ana Paula Bittencourt; o presidente do Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais, Cal e Calcários do Espírito Santo (Sindirochas), Bismark Bachiete; o deputado federal Hildo Rocha (MDB-MA); e o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona.

Reconhecimento a parceiros

Na sessão solene, autoridades e instituições reforçaram o reconhecimento institucional a uma cadeia produtiva que nasceu no Espírito Santo, ganhou o Brasil e hoje ocupa posição de destaque no mercado global. O vice-governador do Estado, Ricardo Ferraço, que recebeu a homenagem em nome do Governo do Estado, reforçou o setor de rochas ornamentais como importante indutor no desenvolvimento do Espírito Santo.

Setor de rochas quer alcançar US$ 3 bilhões em exportações até 2030

“Ele é parte da identidade econômica e cultural do Estado. Nas últimas décadas, essa cadeia se estruturou, profissionalizou e conquistou os mercados internacionais, passando a ser o maior polo de beneficiamento de rochas das Américas. Tudo isso também é resultado de um ambiente transparente. O governo sabe que apoiar o setor é apoiar o desenvolvimento e, por isso, investe em inovação, tecnologia, infraestrutura, segurança jurídica e capacitação. Quando olhamos para a trajetória do segmento, percebemos que o setor é um exemplo claro da existência de apoio e trabalho coletivo”.

Para Ferraço, o setor de rochas naturais é muito mais do que uma atividade econômica relevante para o Espírito Santo, é parte da identidade produtiva do Estado. “Ao longo das últimas décadas, essa cadeia produtiva se estruturou, se profissionalizou e conquistou os mercados internacionais, posicionando o Espírito Santo como o maior polo de beneficiamento e exportação de rochas naturais das Américas e uma das principais referências mundiais do setor. E isso é diretamente geração de empregos, renda, oportunidades, desenvolvimento e prosperidade para trabalhadores e famílias inteiras”, afirmou.

Também receberam agradecimento do setor a ApexBrasil, a Imetame Logística e a Agência Nacional de Mineração (ANM), cujo diretor-geral, Mauro Henrique Sousa, salientou o papel do órgão para garantir a segurança jurídica e o desenvolvimento do setor, e melhorar o ambiente de negócios. “As nossas rochas são conhecidas internacionalmente. Parabenizo o trabalho das entidades e, em especial, o protagonismo do Espírito Santo”, elogiou.

Entre tantos esforços para atingir a marca de US$ 3 bilhões em exportações está a diversificação de mercados conduzida pelo setor. Um dos destaques é o avanço para a criação do Brazilian Natural Stone Hub no Oriente Médio, a partir da assinatura de um Memorando de Entendimento entre a Centrorochas e o Porto de Abu Dhabi. A iniciativa prevê a implantação de uma base logística e promocional permanente na região, reduzindo custos, prazos de entrega e ampliando a competitividade do Brasil frente a concorrentes como Itália, Turquia, Índia e China.

Um dos principais protagonistas globais do setor de rochas naturais, no Brasil, o setor responde por cerca de 480 mil empregos diretos e indiretos no país. Destes, aproximadamente 30% são do Espírito Santo. Destaque nacional, o estado capixaba é o maior polo exportador do país, concentrando 78,5% do valor exportado em 2025, cerca de US$ 1,2 bilhão, além de responder por cerca de 30% dos empregos do setor no Brasil e por 10% do PIB estadual. Minas Gerais, Ceará, Bahia e Rio Grande do Norte também se destacam como importantes polos produtivos e exportadores.

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