O Espírito Santo vive um novo ciclo de expansão na construção civil, impulsionado por obras públicas, programas habitacionais e grandes empreendimentos privados. Mas, junto com as oportunidades, o setor enfrenta um gargalo antigo: a falta de mão de obra qualificada.
Segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Espírito Santo (Sinduscon-ES), cerca de 70 mil trabalhadores têm carteira assinada atualmente na construção capixaba. Para cada vaga direta, o setor calcula a criação de outros três empregos indiretos, movimentando milhares de famílias.
Ainda assim, o presidente do sindicato, Douglas Vaz, ressalta que as empresas relatam dificuldade em preencher funções básicas nos canteiros. “Pedreiros, carpinteiros, armadores, caldeireiros, eletricistas e montadores são hoje as funções mais difíceis de preencher nas obras capixabas”, afirma.
Os dados mais recentes da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) mostram uma tendência preocupante: entre 2015 e 2022, o número de empregados com carteira assinada de até 39 anos na construção civil do Espírito Santo caiu 9,33%, enquanto o grupo com 40 anos ou mais cresceu 13,99% no mesmo período.

“Essa é uma pergunta que nos fazemos também: como atrair um novo público, especialmente os jovens, para atividades em ambientes longe do ar-condicionado, do escritório ou da comodidade do home office?”, questiona Douglas.
Idade média alta
Ele explica que a falta de interesse dos mais novos não é exclusividade capixaba. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a idade média dos trabalhadores da construção no Brasil subiu de 37,4 anos, em 2012, para 41,2 anos, em 2023.
“Sabemos que precisamos fazer a indústria da construção se tornar mais moderna e mais industrializada. A tecnologia é o caminho para que a indústria aumente a produtividade e o bem-estar dos trabalhadores, para que volte a motivar pessoas em início de vida ativa profissionalmente”, avalia o presidente.
Tecnologia e qualificação andam juntas
Com a introdução de novas técnicas construtivas, como o steel frame, a automação de processos e o uso de maquinários inteligentes, a exigência de qualificação cresceu. Profissionais precisam se adaptar a novos procedimentos e aprender a operar equipamentos mais complexos, garantindo que o setor evolua sem perder eficiência.
Segundo o Mapa do Trabalho 2022-2025, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 9,6 milhões de trabalhadores precisarão ser qualificados no país até 2025. Desse total, 2 milhões são de capacitação inicial, ou seja, pessoas que precisam de treinamento para ingressar ou se recolocar no mercado.
No Espírito Santo, o SENAI-ES estima que serão necessários 34,2 mil profissionais para atender à demanda da construção civil até 2027. A instituição vem ampliando cursos técnicos e parcerias com construtoras para adaptar o ensino às novas tecnologias.
“Além de atrair mão de obra mais jovem, é preciso qualificar. O número de entrantes no setor é muito pequeno em relação ao passado, e há um envelhecimento evidente na média de idade dos profissionais”, reforça o presidente do Sinduscon-ES.
Demanda aquecida no Estado
De acordo com dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o Espírito Santo abriu mais de 18 mil empregos formais de janeiro a julho de 2025. A construção civil respondeu por parte importante dessas vagas, com saldo positivo em todas as regiões do Estado.
Mesmo com o avanço, as construtoras ainda disputam profissionais experientes e qualificados. “Atualmente, o número de entrantes para trabalhar no setor é muito pequeno em relação ao que era no passado. Há um envelhecimento na idade média de ajudantes, carpinteiros, mestres de obra e engenheiros, e o uso de novas tecnologias é um caminho evidente. Para isso, é necessário também investir em qualificação”, afirma Douglas Vaz.











