O Espírito Santo deve ter um investimento R$ 2 bilhões de 2021 a 2025 com a desativação onshores (em terra) de petróleo. É o que afirmou a coordenadora de Descomissionamento e Recuperação de Áreas da Superintendência de Segurança Operacional e Meio Ambiente da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Karen Alves.
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Isso representa cerca de 7% do total de R$ 26 bilhões previstos em todo o Brasil até 2024 com as desativações e pode mudar, já que as operadoras apresentam programa anual.
A fala de Karen Alves aconteceu durante o evento Oil, Gas and Energy Week, promovido pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) na tarde desta quarta-feira (10). O objetivo foi trazer abordagem para que os portos se reestruturem novamente, gerando assim, mais rentabilidade para o Brasil.
Atualmente, no Brasil, 66 unidades de produção já possuem mais de 25 anos, indicando o fim das vidas úteis. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP), aproximadamente, 60 unidades serão desativadas entre 2025 e 2030, chegando a mais de 100 unidades até 2040.
De acordo com Karen, o descomissionamento é bastante relevante para o Espírito Santo, que têm bastante reservas. Também há coisas que no passado foram exploradas e, quem sabe, pode haver surpresas.
A importância do descomissionamento no Estado para o Brasil, de acordo com Karen, além da produção, é a diversidade de operadoras que aqui existem. “Vemos que , além da Petrobrás, outras novas empresas chegam, principalmente no onshore, passando todas essas informações e contribuindo com experiência. Isso é bastante relevante quando falamos de descomissionamento e revitalização”, afirmou.
Em termos de pesquisas e desenvolvimentos, para Karen, os campos em terra são bastante desafiadores. É um laboratório a céu aberto e os campos contribuem para pesquisas e desenvolvimentos.
“São campos desafiadores, mas que nos ensinam e trazem uma possibilidade para pesquisa e desenvolvimento – principalmente para os jovens que estão se ingressando – e espero que isso continue com outros temas também”, completou.
A resolução de nº 817, de 24 de abril de 2020, dispõe sobre o descomissionamento de instalações de exploração de petróleo e gás natural, a inclusão de área terrestre sob contrato em processo de licitação, a alienação e reversão de bens, o cumprimento de obrigações remanescentes, a devolução de áreas e dá outras providências.
“Essa revolução estabelece ofertas permanentes a questão de reversão de bens e também a devolução de áreas, que foi bastante importante termos a publicação desse regulamento para que pudéssemos ter um novo marco regulatório do tema”, disse Karen.
Karen afirma que o Brasil é bastante criativo e pode começar a pensar em outras alternativas, reaproveitar várias coisas da melhor forma e integridade. “Espero que ainda possamos ter muito sucesso com a descomissionamento no Brasil e no Espírito Santo também, que já trouxe bastante contribuição, de forma geral”.
Descomissionamento
O descomissionamento é o conjunto de atividades associadas à interrupção definitiva da operação das instalações, ao abandono permanente e arrasamento de poços, à remoção de instalações, à destinação adequada de materiais, resíduos e rejeitos e à recuperação ambiental da área.
A Petrobrás tem desenvolvido diversos estudos e ações desde 2015. Isso tem trazido resultados. Esse ano, por exemplo, houve redução de 30% de tempo médio de abandono de posto, o que gerou aumento de postos na quantidade de postos intervistos neste ano, segundo o Gerente Geral de Descomissionamento da Petrobrás, Eduardo Zaracon.
Vale lembrar que o Brasil tem cerca de 9 mil postos que estão em condições de serem abandonados.
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