O olhar que a sociedade tem sobre periferia muitas vezes se restringe aos índices de criminalidade e atos de violência. No entanto, as comunidades também são espaços de mobilização política, ações de cultura e ambiente fértil para a arte.
O artista Handerson Chic atua em bairros periféricos da Grande Vitória trazendo cor e resistência por meio do graffiti. O grafiteiro que já realizou obras no Morro do Cabral e Bairro da Penha, fez seu mais recente trabalho na comunidade Dom João Batista e acredita que a arte é apenas um caminho para mostrar a força da periferia. “O mais importante é chegar com essa arte, e através disso os moradores entenderem que eles podem se unir e fazer diversas coisas pela comunidade”, afirma.
Para Chic, o mais gratificante é ver o envolvimento das pessoas nas ações realizadas. ” Muitos se emocionam, a gente chega e já é abraçado pela comunidade. Ficamos com vontade de retornar. Eu sou cria do morro do macaco e minha próxima ação vai ser lá, e todos já estão empolgados”, explica. O artista tem como intuito produzir seus trabalhos ao menos uma vez por mês em comunidades da Grande Vitória.

Na comunidade situada em Vila Velha, as ações em prol da comunidade ocorrem de forma contínua através do Abraço Periférico desde março de 2020. O projeto social está arrecadando doações em dinheiro, alimentos, itens de higiene básica, roupas e livros até o dia 31 de maio. A arrecadação será distribuída no dia 06 de junho para as comunidades de Dom João Batista e Cidade de Deus.
Bruna Costa, fundadora do projeto conta que a ideia surgiu de um período em que enfrentava uma depressão profunda e desejava se sentir útil. “Eu pertenço a mesma classe social que eles, a preocupação era e é minha, mas eu quis prestar suporte para além da minha família e comecei a fazer as captações das doações o mais rápido possível, de porta em porta”, relata.
Arte, união e humanização
No último sábado (22) foi realizada em quadra do bairro Dom João Batista, uma ação destinada a iluminação e revitalização do espaço de lazer da comunidade. As atividades surgiram através do desejo de transformar a imagem negativa do bairro e trazer coisas que muitas das vezes o poder público negligencia.

Marco Nascimento, ex- morador da comunidade e um dos participantes da ação acredita que os estigmas do bairro, assim como a realidade da região impactada pela violência urbana possa ser transformada através do amor. A primeira ação realizada foi a construção de um jardim perto do espaço de lazer, que foi financiada através da venda de rifas pelo bairro.
Ele conta que o engajamento dos membros do bairro foi um dos aspectos que mais emocionantes da ação, e que as medidas organizadas foram pensadas para trazer dignidade e humanizar os moradores. “Vimos que a parte que era importante defender seria a cívica, na frente da quadra tinha um lixão, também não tinha iluminação, e abraçamos a ideia, fechamos o seguinte, fazer um jardim no ponto viciado, pintar a quadra para depois grafitar, e colocar os refletores. Quando vimos que a maioria das pessoas que estavam ajudando eram crianças, nossa, que alegria, que bonito”, conta.
Além da pintura da quadra, que contou com o graffiti de Chic, e a instalação dos refletores , os moradores pretendem construir uma horta comunitária assim como realizar a pintura da fachada das casas a fim de melhorar a autoestimas dos que residem no bairro.
Crédito: Imagem destacada – Ana clara de Castro









