
Em tempos de pandemia do novo coronavírus (Covid-19) a rotina de adolescentes e jovens virou de cabeça para baixo por conta das medidas de isolamento social. Os dias que antes tinham poucas horas, agora estão sendo adaptados aos novos hábitos, e o contato com amigos e familiares ganha alternativas por meio do virtual.
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Com tantas mudanças e o medo de uma enfermidade nova adolescentes e jovem tem diretamente a saúde mental afetada. Em razão disso, ESHOJE conversou com um adolescentes e jovens que estão em isolamento social e tiveram as vidas afetadas.
Entre eles está o estudante do 3º ano do Ensino Médio do Ifes (Instituto Federal do Espirito Santo) Colatina Francisco Alves, 17 anos. De acordo com ele, a nova rotina tem impactado no sono e na alimentação, e consequentemente no humor dentro de casa. “Minha rotina está mudando muito, eu durmia 20h e agora estou indo dormir 2/3h da manhã e acordo a tarde. Eu to notando que to muito estressado por conta do meu sono não regular está me deixando ansioso. Eu engordei 4 quilos na quarenta por conta da ansiedade”, contou.
Essa fome descontrolada e os quilos a mais são explicados pela psicóloga e terapeuta familiar Naira Caroline Araújo como uma vontade de comer provocado pela angústia, que é consequência da pandemia. “É uma fome provocada pela angústia, e mais uma vez, a família precisa se reunir e compartilhar essas angústias esses momento de prazer e separar os momentos das obrigações. Essa fome é consequência da ansiedade gerada pela angústia de não saber quando isso tudo vai acabar e como isso vai acabar”, explicou.
Essas inseguranças geraram na universitária Paloma Torres, 20 anos, o medo e a apreensão de sair de casa pós-pandemia. “É angustiante, por ser uma rotina completamente diferente. Além disso, a minha faculdade pode estar comprometida… Eu percebi que tenho medo de sair na rua, eu acho que to bastante apreensiva com as pessoas e pensamento delas, e a responsabilidade social deles, já que nem todos têm”, disse a estudante que por conta da pandemia precisou parar o estágio obrigatório e não sabe se irá forma em 2020 por conta das horas de estágio, que agora não terá mais.
Tudo isso, segundo a psicóloga e terapeuta familiar, pode ser por conta do aumento do uso expressivo de tecnologia durante a pandemia. Naira explica que a partir da mudança na rotina adolescentes jovens têm a sensação de ociosidade, que gera ansiedade e tristeza e faz com que eles recorram as tecnologias. “O aumento de uso da tecnologia acaba deixando eles mais irritados, por que tanta informação a fim de participar de alguma coisa e as incertezas aumentam sobre o que se tem que fazer e o que será feito”, esclareceu.
A fim de mudar esse cenário, Naira orienta que pais e responsáveis devem criar diálogos com os filhos, que agora passam mais tempo dentro de casa, por conta do isolamento social. De acordo com a psicóloga e terapeuta familiar, a incerteza quando não compartilhada só pode se transformar em mais incerteza, que gera mais medos e vazios.
“As incertezas aumentam sobre o que fazer. Para melhorar isso, a conversa faz com que adolescentes e jovens compreendam que não estão de férias e assim reforçam vínculos, para intervir e tentar amenizar o comprimento de irritação, de estar perdido e não fazer nada, o que acaba gerando crises de instabilidade”, contou a especialista.









