
A preocupação da comerciante Priscila Barbosa, que estava com sintomas da Covid-19 (novo coronavírus) e isolada na própria casa, precisou ficar de lado ao ver a filha, de apenas oito meses, com os sintomas da mesma doença. A pequena Estella Rodrigues recebeu alta nesta segunda-feira (4) após passar seis dias no Hospital Estadual Infantil Nossa Senhora da Glória, em Vitória.
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De acordo com Priscila, os dias no hospital de referência para atendimento de casos do novo coronavírus não foram nada fáceis. A mãe relata a falta de estrutura básica, como banheiro e até mesmo uma cadeira para os acompanhantes dos menores de idade se sentarem.
“Eu escutei dos responsáveis do hospital que eles não se preparam para o tipo de caso da minha filha, porque até então criança não pegava Covid-19, e eles tiveram que improvisar uma sala em cima da hora. Queriam que eu deixasse a minha filha, fosse embora e buscasse ela após a recuperação”, contou a comerciante, que afirma não se arrepender em ter ficado.
Em uma situação difícil ao ver a filha doente, Priscila ainda conta que ficou cerca de seis horas em pé junto à pequena Estella em uma sala do hospital e dois dias sem tomar banho. “A médica responsável do dia foi umas três vezes para saber se a minha última palavra seria a de ficar com a minha filha. Eu estou sem tomar banho há dois dias, porque não tinha chuveiro e nem banheiro na sala. Antes disso, eu estava no setor de infectologia e lá não tive do que reclamar, mas quando chegou o resultado e era Covid-19, tudo mudou”, disse Priscila.
Em nota a direção do Hospital Estadual Infantil Nossa Senhora da Glória esclareceu que “antes mesmo da pandemia chegar ao Estado foi iniciado o planejamento de atendimento dos pacientes e que tem sido adotada todas as medidas necessárias para garantir o tratamento das crianças e também a segurança de seus acompanhantes e dos profissionais da unidade”.
A pequena de apenas oito meses começou a apresentar os sintomas há cerca de 15 dias, em 19 de abril, quando foi levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Serra Sede, no município da Serra, e voltou para casa com o diagnóstico de síndrome gripal. No dia seguinte foi a vez de Priscila apresentar os sintomas e procurar a mesma UPA, onde também foi diagnosticada com síndrome gripal.
“Quando foi na segunda-feira (22 de abril), cerca de dois dias depois de eu ir pela primeira vez, voltei à UPA e o médico disse que ele teve a Covid-19 e que os sintomas que eu estava apresentando foram os mesmos que ele sentiu. Só que eles não realizaram os exames, porque eu não apresentei sintomas respiratórios e febre”, disse a comerciante que a partir desse dia começou a ficar isolada em um cômodo da casa.

Cerca de dois dias depois a pequena Estella voltou a apresentar sintomas e entre idas e vindas à UPA de Serra Sede, a pequena permaneceu internada com sintomas de pneumonia na unidade por dois dias, quando foi transferida para o Hospital Estadual Infantil Nossa Senhora da Glória. A confirmação para Covid-19 viria três dias após a entrada da criança.
Além da filha, Priscila relata que mais seis crianças, com idades entre dois meses e seis anos, estavam no setor de infectologia com sintomas suspeitos da doença. Além disso, a comerciante ainda conta que uma criança com necessidades especiais, de nove meses, deu entrada sozinha ao hospital vinda de um orfanato.
Também por nota, a direção do Hospital Estadual Infantil Nossa Senhora da Glória informou que “na unidade estão disponíveis 46 leitos específicos para pacientes da Covid-19. Nesta segunda-feira (4) a ocupação no hospital é de um caso confirmado e 11 suspeitos”. E ainda ressaltou que “tem trabalhado constantemente o fluxo de atendimento para garantir ainda mais o bem estar de pacientes e seus acompanhantes durante a permanência no hospital”.









