O mês de abril chega ao fim registrando 83 mortes no Espírito Santo causadas pelo novo coronavírus (Covid-19). Porém, de acordo com o Sindicato das Funerárias do ES (Sindefes), esse número pode ser ainda maior.
Isso porque a quantidade de sepultamentos por insuficiência respiratória é superior aos óbitos registrados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
De acordo com o presidente do Sindefes, Nilson Batista, com a maioria das pessoas respeitando a quarentena, o atendimento das funerárias no estado caiu.
“Mas temos uma média de três sepultamentos por semana de casos confirmados do novo coronavírus. Tem bastante casos por insuficiência respiratória, é ainda maior que os confirmados”.
Isso pode acontecer devido ao tempo para que os resultados dos testes para o novo coronavírus sejam divulgados. Os casos de problemas respiratórios são considerados suspeitos até que os testes confirmem para o Covid-19.
Por esse motivo, as funerárias e cemitérios do estado precisam adotar as medidas de segurança especiais antes mesmo da confirmação.

Segundo ele o setor conta com todos os equipamentos de EPI. “Tomamos todos os cuidados e seguimos á risca as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Estamos fazendo as orientações necessárias aos donos de funerárias em todo o ES. O uso do EPI (macacão, máscara e luvas) é necessário mesmo sem a confirmação oficial do novo coronavírus. Assim como a higienização de todos os setores”.
Apesar de não haver redução da equipe, as pessoas do grupo de risco foram afastadas e alguns funcionários estão trabalhando de home office.
“No caso de confirmação ou suspeita do Covid-19, o corpo vai direto da funerária para o enterro. Não é permitido o velório. Com outras mortes, o limite dos velórios é de até duas horas, com o máximo de 20 pessoas. Orientadas a evitar o contato e ao uso de máscaras e álcool em gel”.
Localizado no município com o maior número de óbitos, o Cemitério Jardim da Paz (Serra), realiza um enterro por dia por Covid-19. O tempo entre um enterro e outro é de meia hora. Em caso de suspeita do vírus, o tempo pode aumentar de 30 a 15 minutos. Tempo suficiente para a equipe descartar o macacão e as luvas, limparem galochas e óculos e se higienizar.
Em caso de Covid-19, não há velório. O caixão é lacrado desde o hospital e vai direto para o enterro. Nos enterros por outras causas, o cemitério pede, apenas, que tenham a duração de até três horas, com o limite de dez pessoas velando por vez.
Cemitérios municipais
Na Serra, os cemitérios públicos municipais reduziram para dez o número de pessoas que podem acessar as salas de velórios (capelas), em casos de mortes em geral.
E os velórios podem durar, no máximo, quatro horas. No caso de morte confirmada por Covid-19, não são realizados velórios. Todos os funcionários recebem os equipamentos de proteção individual para os procedimentos funerários.
A Prefeitura da Serra esclareceu também que a abertura de novas covas é procedimento rotineiro nos cemitérios da cidade, para garantir o direito de todos às vagas. E não há relação com a pandemia de novo coronavírus.
Além disso, para que toda a população da Serra tenha direito e acesso às vagas de sepulturas nos cemitérios municipais, é realizada a exumação e transferência para ossuários, a cada quatro anos.
Em Villa Velha, todos os funcionários receberam EPIs (máscara, luvas e macacões). A carga horária está mantida. Em relação às covas, diariamente são abertas entre três a seis novas para enterros dos diversos tipos de óbitos.
Entre as principais medidas adotadas durante os velórios e enterros são: evitar o contato físico, a não permissão de pessoas do grupo de risco, caixão fechado e o uso de máscaras e álcool em gel. Para o transporte e manuseio dos corpos foram redobrados os cuidados com a higienização.
Em Vitória, a média é de dez enterros por dia e não houve mudança durante o período de pandemia. Até o momento, só houve quatro enterros devido ao Covid-19.
Não há abertura de covas em massa e não houve a necessidade de contratação de novos profissionais para os cemitérios ou mudança de horário de trabalho.

O município possui um plano de contingência e locais para abertura de possíveis covas em caso de necessidade.
Todos os servidores, bem como os terceirizados, receberam kits de EPIs para se protegerem para a execução de velórios e enterros.
Em caso de enterros de pessoas com confirmação de coronavírus, as roupas são especiais, bem como os EPIs com avnetal, máscaras e luvas especiais, e o caixão já vem lacrado das funerárias.
No caso de óbitos por problemas respiratórios ou suspeita de Covid-19, não há liberação para velórios nos cemitérios de Vitória.
Não sendo essas as causas de morte, o limite máximo de até 10 pessoas nos velórios, sem contato e aglomerações. E as famílias são orientadas a evitar abraços e aglomerações.
Ao ligar para os cemitérios, as famílias já são informadas sobre os novos procedimentos. É preciso evitar aglomerações, a presença de crianças e idosos e, para quem for ao local, é obrigatório o uso de máscaras no local.
Em Cariacica, foram disponibilizados os equipamentos de proteção individual (EPI). Eles têm à disposição o macacão protetor de corpo inteiro, máscara facial e luvas, seguindo as recomendações da Anvisa. A carga horária de trabalho dos profissionais sepultadores foi mantida.
As cerimônias devem ser breves, com um mínimo de 10 pessoas e que se respeite o distanciamento de dois metros entre os presentes, seja qual for o motivo do óbito. O uso das capelas mortuárias dos cemitérios está proibido devido a pandemia.
Segundo a Prefeitura de Cariacica, não houve necessidade de novas covas nos cemitérios municipais. No conjunto dos oito cemitérios municipais de Cariacica, o número total de sepultamentos, no período de 1 a 26 de abril, foi de 87, o que está dentro da média mensal. Não houve nenhum acréscimo ou aumento devido à pandemia.









