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21 de fevereiro de 2024
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Ataque às escolas em Aracruz: um ano depois o que precisa mudar?

No dia 25 de novembro, o ataque às instituições Escola Estadual Primo Bitti e Centro Educacional Praia de Coqueiral (CEPC), do bairro Coqueiral de Aracruz, em Aracruz completou um ano. Especialista destaca o que ainda precisa mudar para evitar casos como esse.

O ataque, provocado por um adolescente de 16 anos, vitimou três professoras e uma aluna de apenas 12 anos.

O relatório “Ataque às escolas no Brasil” divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) neste ano, trouxe dados alarmantes quanto a questão da seguranças em escolas brasileiras.

É o que explica a doutora e professora Eliza Bartolozzi, do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFES. “O relatório mapeou o surgimento do fenômeno no Brasil desde 2002 até 2023, onde é possível notar um grande crescimento a partir do ano de 2017, que até agora concentrou 31 dos 36 casos registrados”.

Ataque às escolas em Aracruz: um ano depois o que precisa mudar?
Gráfico da evolução dos ataques de violência extrema às escolas no Brasil/ Disponível em: Relatório Ataques às Escolas MEC.

Outro dado que o relatório traz é quanto ao uso de armas de fogo nesses ataques às escolas que chegou a 44,4% dos casos no período, semelhante ao de armas brancas, porém a letalidade do primeiro alcançou 77,5% dos casos. “Precisamos entender como essas armas estão chegando nas mãos de jovens”, afirma a professora.

Dados do relatório apontam que nos 36 ataques ocorridos no Brasil, 37 escolas foram vitimadas, 14 municipais, 16 estaduais e sete particulares. Apesar do número pequenos de estabelecimentos privados, o ministério considera que não é possível observar diferença de segurança entre ambos os tipos de estabelecimento, uma vez em que há muito mais escolas públicas no Brasil, responsáveis por mais de 80% dos estudantes brasileiros.

“O fenômeno dos ataques às escolas não faz qualquer distinção estatisticamente relevante por tipo de gestão”, alerta a especialista.

O aumento da violência contra a instituição escolar tem origem no processo de criminalização das escolas, como elucida a professora. “Isso se dá através da desvalorização do professor, propagação da imagem do professor dogmatizador, ideia de que a escola não promove valores por não aplicar a ótica de uma religião, entre outros”.

Por isso, de acordo com a especialista, a forma correta de nomear esses episódios é violência contra ou às escolas, uma vez que embora perpetuadas nesses ambientes envolvem aspectos para além deles. “Trata-se de um fenômeno social que requer políticas internas e externas a escola”.

O que está por trás do aumento da violência?

A doutora aponta que é preciso redobrar a atenção à saúde mental tanto dos discentes como dos docentes. “Temos visto a automutilação se tornar muito comum nas escolas e isso se dá diante às diversas crises enfrentadas pela sociedade em diverso âmbitos, como o climático e financeiro”.

“Diante a esses períodos de incertezas há a acentuação da segregação social destacadas pela desigualdade em espaços, incluindo dentro das escolas”, destaca Elisa Bartolozzi.

Além disso, a especialista, aponta que o grande uso de, e mortalidade, por armas de fogo nesses ataques, refletem o impacto do movimento armamentista nos jovens. “É preciso o monitoramento de clubes de tiro a fim de entender como esses jovens adquirem o conhecimento balístico”.

Assim como, o monitoramento e controle de comunidades na internet não apenas pela família. “Tendo em vista que a configuração atual em que muitas vezes, devido a jornada intensa de trabalho dos pais, traz a escola como responsável, quando na verdade é das plataformas digitais que precisam regulamentar e fiscalizar esses espaços”, exemplifica a doutora em educação.

“Temos visto durante esse ano, o aumento de medidas paliativas como aumento de ronda e contingente policiais nos arredores de escolas e emprego de botão de pânico. Mas no geral, essas medidas são remédios e não a cura para a violência às escolas”, garante Eliza Bartolozzi.

A especialista lista uma série de pontos de atenção atuais que podem levar a eclosão de mais casos de violência contra às escolas:

  • aumento da política armamentista;
  • aumento do extremismo politico e propagação de ódio;
  • aumento desenfreado e desregularizado do uso de streaming na internet;
  • aumento do cyberbullying;
  • crescimento das desigualdades sociais;
  • insuficiência das estruturas escolares, sobretudo quanto a espaços de lazer;
  • formação ineficiente de profissionais da educação quanto ao novo perfil dos jovens e suas demandas.

E no Espírito Santo?

Em nota, a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) informa que o Plano Estadual de Segurança Escolar intensificou ações que a secretaria já desempenhava na Rede Estadual de ensino.

Neste contexto, atendendo a uma das metas estabelecias pelo plano, lançado em abril deste ano, a Sedu realizou a expansão da Ação Psicossocial e Orientação Interativa Escola (APOIE) com a contratação de 225 profissionais (psicólogos e assistentes sociais). “Estes profissionais já estão atuando nas escolas da Rede Estadual de ensino”, destaca.

Outra ação, listada pela secretaria, que estava prevista no Plano Estadual de Segurança Escolar é a ‘Formação em Primeiros Socorros’, promovida por meio de uma parceria entre as secretarias de Educação, Segurança, Corpo de Bombeiros e ESESP.

A Sedu ressalta que essa e outras ações estabelecidas pelo plano são intersetoriais, envolvendo outras secretarias de governo. “Que também desempenham papel importante neste contexto e em cumprimento às demais metas estabelecidas”.

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