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13 de janeiro de 2026
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Raphael Câmara
Raphael Câmara
Raphael Americano Câmara é desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo. Formou-se em direito em 1999, tem mestrado, doutorado e pós-doutorado pela Universidade Federal do Espírito Santo em História Social das Relações Políticas, especializações em Direito Público e Direito Processual Civil.
A opinião dos colunistas é de inteira responsabilidade de cada um deles e não reflete a posição de ES Hoje

A questão da Infância

A sucessão de infâncias dá forma à vida humana. A infância forma ou deforma, mas sempre cumpre o papel definitivo de dar à luz um adulto capaz de sobreviver ao genocídio infantil que grassa pelo mundo. Mutilando, estuprando, matando ou humilhando, as pessoas grandes – como candidamente os tratou o Pequeno Príncipe – são muito criativas na elaboração das sodomias silenciosas que acontecem a um palmo de nós, na sala ao lado, nas clínicas, nas periferias ou nos palacetes.

Os infanticidas são democráticos: matam em todos os lugares, não escolhem muito e andam pelas ruas com seus olhares de homens cívicos e posturados. Jovens, velhos, magros e gordos. São todos eles. Assim mesmo, entre sorrisos corteses e gentilezas, destroem a vida inteira de uma criança e para sempre, deixando as marcas indeléveis que reproduzem a mesma dor que aquela menina vai carregar sozinha, desafiando a razão humana e os limites de sobrevivência.

O Anuário de Segurança Pública de 2025 mostra que os casos de estupro, estupro de vulnerável, estupro total (incluindo o estupro de vulnerável), estupro de mulheres, assédio sexual, importunação sexual e pornografia aumentaram gravemente. Os demais crimes, se caíram, caíram pouco e ainda apresentam índices elevados sobretudo contra crianças e adolescentes, sempre elas a sofrerem na carne e na alma essa abominação definitiva.

E os criminosos? Estão por aí, ao nosso lado. Ao nosso lado mesmo, considerando que 65% dos casos ocorrem dentro da casa da criança. E ninguém vê. Ou se vê, culpa a criança. Ou o pai da criança. Mas e se a criança contar a violência que sofreu, quem acreditará? As marcas quase nunca são aparentes por agora, mas vão brilhar muito nos dias seguintes e serão como que faróis para guiar essa criança desacreditada.

Por isso, uma sugestão. Ao menor sinal, denuncie. Não pague para ver. Não confie no próprio censo ético, porque você enfrentará um criminoso dissimulado e astuto, que será capaz de mentir tenazmente. Denuncie. Fossemos nós tão espertos e justos, esses crimes sequer aconteceriam.

Estamos perdendo a guerra. Denuncie.

Até breve.

Raphael Câmara
Raphael Câmara
Raphael Americano Câmara é desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo. Formou-se em direito em 1999, tem mestrado, doutorado e pós-doutorado pela Universidade Federal do Espírito Santo em História Social das Relações Políticas, especializações em Direito Público e Direito Processual Civil.

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