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13 de junho de 2024
quinta-feira, 13 de junho de 2024
Raphael Câmara
Raphael Câmara
Raphael Americano Câmara é desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo. Formou-se em direito em 1999, tem mestrado, doutorado e pós-doutorado pela Universidade Federal do Espírito Santo em História Social das Relações Políticas, especializações em Direito Público e Direito Processual Civil.

A questão da Radicalidade

Falávamos de Francisco, a santidade em gerúndio. O trovador boêmio que viveu um encontro discreto com o Senhor e, depois disso, após essa rápida troca de olhares com o Amor de sua vida, perseverou na mudança contínua, árida e dolorosa dos valores mais íntimos. Fez-se após o faça-se. Como quem constrói um novo universo dentro do próprio coração e, donde saem todas as coisas, construiu outros tantos novos universos, o que faz até hoje, inclusive comigo, diária e insistentemente.

Francisco não foi uma revolução. Eu não acredito em revoluções. Francisco foi uma evolução, como eu e você somos, em certa medida, evoluções e involuções, erros e acertos. Felix Culpa! dizia um amigo. Feliz a culpa, feliz o erro, feliz o tropeço que me aproximou do Caminho e que me fortaleceu ao ponto de nunca mais cometer erros iguais. Feliz o arrependimento que me despiu da soberba e que me vestiu de humildade.

Felix Culpa!

Talvez nesse momento, quando você não só reconhece o erro e pede perdão, mas passa então a ser grato pelo erro cometido e pelas consequências virtuosas da queda, é que a vida deixa de lado o gerúndio e exige de mim – e de você, não esqueça – a radicalidade da existência digna e valiosa. Porque, sejamos francos, não ha mais o que fazer. Arrependida, perdoada e grata por tudo: temos eu e você o direito de voltarmos ao mesmo charco? Não. Definitivamente não.

Essa é a única radicalidade esperada e amada, que fará de você uma pessoa nova. Nova mesmo. Novos hábitos. Novos desejos. Novos amores. Quando você se perdoar pelo erro cometido e for generosa com você mesma, tratando-se tão bem quanto trata a melhor amiga e, enfim, gritar feliz no travesseiro “obrigada pela queda humilhante”, você terá entendido tudo. Vai abrir os olhos e abraçar o próprio caminho, agora corajosamente e pronta para arrancar as amarras que você se permitiu  agrilhoar.

Não é um caminho longo, não. É uma pequena maratona apenas. Dessas feitas à noite, com longas caminhadas e paradas para descansar. O sol virá, inevitavelmente. E você estará radicalmente preparada para olhar as feridas dos pés, sorrir e seguir em frente. Até breve!

Raphael Câmara
Raphael Câmara
Raphael Americano Câmara é desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo. Formou-se em direito em 1999, tem mestrado, doutorado e pós-doutorado pela Universidade Federal do Espírito Santo em História Social das Relações Políticas, especializações em Direito Público e Direito Processual Civil.

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