Dólar Em alta
4,928
21 de fevereiro de 2024
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024
Pedro Valls Feu Rosa
Pedro Valls Feu Rosa
Desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo desde 1994. Programador de computadores, autor de diversos “softwares” dedicados à área jurídica, cedidos gratuitamente a diversos Tribunais do Brasil. Articulista de diversos jornais com artigos publicados também em outros países, como Suíça, Rússia e Angola.

A mediocridade

Dia desses li uma interessante reflexão atribuída a Carl Gustav Jung, fundador da psicologia analítica: “todos nós nascemos originais e morremos cópias”. São palavras que, na era do “politicamente correto”, merecem alguns momentos de meditação.

Observe que de uns tempos para cá todos parecem ter a mesma opinião sobre os principais temas relativos à humanidade – e utilizei a expressão “parecem” porque aos que eventualmente discordam de algo reserva-se o limbo ou a discriminação pura e simples.

Fico a recordar, diante deste quadro, das palavras – hoje tão negligenciadas – de Voltaire: “não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-las”.

Veja, com olhos de ver, os principais meios de comunicação da humanidade. Observe que todos parecem refletir um só caminho e defender uma só “verdade”. É difícil neles encontrar uma entrevista ou manifestação de opinião divergente quanto a estas tais “verdades” – as exceções são quase sempre retratadas de forma a minar-lhes a credibilidade. E contemple Voltaire a inquietar-se na tumba.

Pense em alguma reunião social. Experimente emitir alguma opinião diferente daquelas que, rotuladas como “politicamente corretas”, já estejam entranhadas no espírito de seus interlocutores – para constatar-se relegado ao desprezo, enquanto alvo de olhares de reprovação. E pense em Voltaire revirando-se no túmulo.

Tão mais chocante este quadro quando em contraste com a “Era da Informação”, da qual tanto nos orgulhamos enquanto humanidade. A despeito de fascinados pela oportunidade da troca de ideias com pessoas de cada canto e recanto deste planeta, quão poucos de nós ousam questionar aqueles “conceitos estabelecidos”.

Seria o nosso conformismo fruto do medo da solidão? Afinal, integrar uma massa – ser um “animal de rebanho”, nas palavras de Nietzsche – é uma tendência que brota do receio do isolamento social.

O perigo deste agir é que, excluindo-nos da história, a ela alçamos, aqui e ali, déspotas e falsos profetas – que o diga a patente e inequívoca decadência espiritual e moral da humanidade.

Contemplando tão triste realidade, encerro estas linhas com a profunda indagação de Spinoza: é possível fazer da multidão uma coletividade de homens livres, em vez de um ajuntamento de escravos?

Pedro Valls Feu Rosa
Pedro Valls Feu Rosa
Desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo desde 1994. Programador de computadores, autor de diversos “softwares” dedicados à área jurídica, cedidos gratuitamente a diversos Tribunais do Brasil. Articulista de diversos jornais com artigos publicados também em outros países, como Suíça, Rússia e Angola.

Você por dentro

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

Escolha onde deseja receber nossas notícias em primeira mão e fique por dentro de tudo que está acontecendo!

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas

Notícias Relacionadas