As aulas voltaram semana passada. Para algumas crianças, é motivo de alegria. Para outras, nem tanto. Tem quem esteja animado para rever os amigos, e tem quem volte com um friozinho na barriga, com medo de não se encaixar, de sofrer brincadeiras, de ser excluído. E é por isso que eu queria te fazer um pedido simples, mas muito necessário: tire cinco minutinhos do seu dia para conversar com seu filho.
Eu sei que a rotina é corrida. Trabalho, casa, cansaço, mil coisas para dar conta. Mas, às vezes, é nessa pressa que a gente deixa passar o que é essencial. Cinco minutos de conversa podem não parecer muita coisa para nós, adultos, mas para uma criança isso pode ser o suficiente para se sentir vista, protegida e amparada.
Sente com seu filho e explique que todo mundo é diferente. Que ser alto ou baixo, magrinho ou gordinho, preto ou branco não é motivo para brincadeira. Que comentar o corpo do outro machuca. Vale até olhar para dentro da própria família: tios, primos, pessoas próximas… como a gente fala do outro dentro de casa ensina muito mais do que qualquer discurso bonito. Criança aprende observando.
Converse também sobre coisas simples do dia a dia. Usar a mesma mochila do ano passado não diminui ninguém. Aquela mochila carrega os mesmos sonhos, a mesma vontade de aprender, a mesma esperança de quem está começando um novo ano. O que muda não é o objeto, é como a gente olha para o outro.
Explique que excluir machuca. Que bullying não é “brincadeira boba”, é algo que fica guardado por dentro. E pergunte para o seu filho: “Como você se sentiria se fizessem isso com você?”. Essa pergunta simples ajuda a desenvolver empatia, que é algo que a gente não ensina só com teoria, mas com conversa, exemplo e reflexão.
Lembre seu filho que a escola é um lugar para aprender a ser uma pessoa melhor. Não é um espaço para se sentir maior diminuindo o outro. É um espaço de convivência, de construção de relações, de aprendizado humano também.
E, talvez uma das partes mais importantes: oriente seu filho a falar sobre o que sente. A não guardar o que pesa. A não normalizar situações que machucam. Muitas crianças sofrem em silêncio porque acham que “não é nada”, porque têm medo de incomodar ou de serem julgadas. Quando abrimos espaço para a fala, a gente abre espaço para o cuidado.
Essa conversa não é sobre criar filhos perfeitos. É sobre criar filhos mais conscientes. É sobre formar crianças que entendam que o outro também sente, também se machuca, também tem história.
Educação começa em casa. A escola faz parte, mas o alicerce é nosso. Cinco minutinhos hoje podem não mudar o mundo inteiro, mas podem mudar o mundo de uma criança. E, para mim, isso já é grande coisa.
No final das contas, é isso que a gente quer: que nossos filhos cresçam sendo humanos melhores.
Mentes saudáveis criam um mundo melhor.









