21 de fevereiro de 2026
sábado, 21 de fevereiro de 2026
Maria Tereza Samora
Maria Tereza Samora
Especialista em performance cognitiva emocional. Psicopedagoga Clínica com formação neuromudalação, mentora de vestibulandos e acadêmicos, educadora parental, treinadora de inteligência emocional para crianças e adolescentes, mãe, palestrante e empreendedora.
A opinião dos colunistas é de inteira responsabilidade de cada um deles e não reflete a posição de ES Hoje

Volta às aulas: cinco minutinhos que podem mudar o ano do seu filho

As aulas voltaram semana passada. Para algumas crianças, é motivo de alegria. Para outras, nem tanto. Tem quem esteja animado para rever os amigos, e tem quem volte com um friozinho na barriga, com medo de não se encaixar, de sofrer brincadeiras, de ser excluído. E é por isso que eu queria te fazer um pedido simples, mas muito necessário: tire cinco minutinhos do seu dia para conversar com seu filho.

Eu sei que a rotina é corrida. Trabalho, casa, cansaço, mil coisas para dar conta. Mas, às vezes, é nessa pressa que a gente deixa passar o que é essencial. Cinco minutos de conversa podem não parecer muita coisa para nós, adultos, mas para uma criança isso pode ser o suficiente para se sentir vista, protegida e amparada.

Sente com seu filho e explique que todo mundo é diferente. Que ser alto ou baixo, magrinho ou gordinho, preto ou branco não é motivo para brincadeira. Que comentar o corpo do outro machuca. Vale até olhar para dentro da própria família: tios, primos, pessoas próximas… como a gente fala do outro dentro de casa ensina muito mais do que qualquer discurso bonito. Criança aprende observando.

Converse também sobre coisas simples do dia a dia. Usar a mesma mochila do ano passado não diminui ninguém. Aquela mochila carrega os mesmos sonhos, a mesma vontade de aprender, a mesma esperança de quem está começando um novo ano. O que muda não é o objeto, é como a gente olha para o outro.

Explique que excluir machuca. Que bullying não é “brincadeira boba”, é algo que fica guardado por dentro. E pergunte para o seu filho: “Como você se sentiria se fizessem isso com você?”. Essa pergunta simples ajuda a desenvolver empatia, que é algo que a gente não ensina só com teoria, mas com conversa, exemplo e reflexão.

Lembre seu filho que a escola é um lugar para aprender a ser uma pessoa melhor. Não é um espaço para se sentir maior diminuindo o outro. É um espaço de convivência, de construção de relações, de aprendizado humano também.

E, talvez uma das partes mais importantes: oriente seu filho a falar sobre o que sente. A não guardar o que pesa. A não normalizar situações que machucam. Muitas crianças sofrem em silêncio porque acham que “não é nada”, porque têm medo de incomodar ou de serem julgadas. Quando abrimos espaço para a fala, a gente abre espaço para o cuidado.

Essa conversa não é sobre criar filhos perfeitos. É sobre criar filhos mais conscientes. É sobre formar crianças que entendam que o outro também sente, também se machuca, também tem história.

Educação começa em casa. A escola faz parte, mas o alicerce é nosso. Cinco minutinhos hoje podem não mudar o mundo inteiro, mas podem mudar o mundo de uma criança. E, para mim, isso já é grande coisa.

No final das contas, é isso que a gente quer: que nossos filhos cresçam sendo humanos melhores.
Mentes saudáveis criam um mundo melhor.

Maria Tereza Samora
Maria Tereza Samora
Especialista em performance cognitiva emocional. Psicopedagoga Clínica com formação neuromudalação, mentora de vestibulandos e acadêmicos, educadora parental, treinadora de inteligência emocional para crianças e adolescentes, mãe, palestrante e empreendedora.

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