Luiz Paulo Vellozo Lucas
Luiz Paulo Vellozo Lucas
Luiz Paulo Vellozo Lucas - engenheiro de produção pela UFRJ com cursos de pós graduação em finanças (Arthur Andersen), desenvolvimento econômico(BNDES) e economia industrial (IE-UFRJ), mestrado em Engenharia e Desenvolvimento Sustentável pela UFES. Foi funcionário de carreira concursado do BNDES onde ingressou em 1980, aposentando-se em agosto de 2016. Foi prefeito de Vitória por dois mandatos consecutivos (1997-2000 e 2000-2004), deputado federal pelo Espírito Santo e foi diretor Presidente do BANDES, Banco de Desenvolvimento do Espirito Santo entre 2015 e 2016 e do IJSN-Instituto Jones dos Santos Neves entre 2019 e 2020. Luiz Paulo escreve quinzenalmente, sempre às sextas-feiras.
A opinião dos colunistas é de inteira responsabilidade de cada um deles e não reflete a posição de ES Hoje

Otimismo e eleições

A sensação de bem estar, fell good sensation, é um fator que influi eleitoralmente a favor ou contra o governante incumbente. O otimismo ou o pessimismo da população variam de acordo com a sensação de bem estar e são referencia para a disputa tanto nas eleições gerais quanto locais. As eleições, sempre antagonizam aprovação ou desaprovação do governo incumbente, continuidade ou ruptura. Quem é governo localmente é ajudado pelo otimismo nacional sendo aliado politico ou não.  Quem é oposição localmente tende a reforçar o posicionamento crítico  e ser pessimista. O alinhamento politico local/nacional é percebido como vantajoso.

No período do regime militar as eleições permitidas (não existiam eleições para presidente, governadores e prefeitos das capitais) eram realizadas com o voto vinculado, isto é o eleitor era obrigado a escolher todos os candidatos do mesmo partido e existiam apenas dois partidos: a ARENA da situação e o MDB da oposição. Em 1979 foi restaurado o pluripartidarismo e a ARENA tornou-se o PDS e o MDB virou PMDB. Criaram-se ainda o PT, o PDT e o PTB. A polarização fortalecia a oposição que crescia e assustava o regime. Em 1982, no governo do General Figueiredo, houve eleição para governador, senador, deputado federal, deputado estadual, prefeito e vereador na mesma data com voto vinculado.  Com isso o governo pretendia fazer com que seu maior controle politico em nível municipal influísse nas escolhas nos demais níveis de governo e assim o colégio eleitoral que escolheria o presidente da republica seria preservado com o predomínio de políticos leais aos militares.

A Lei Falcão de 1976, proibia que os candidatos falassem diretamente aos eleitores na TV e no radio. Não era permitido debates, jingles, entrevistas nem discursos apenas fotografia fixas e a leitura do currículo dos candidatos. Em 1982, ainda na vigência da Lei Falcão, com o voto vinculado e com um terceiro senador não eleito (“senador biônico”) por estado o regime militar conseguiu, formalmente, o controle do colégio eleitoral elegendo dois terços dos governos estaduais e maioria do PDS nos seus 686 membros. Também não existia internet nem celular.

O que os estrategistas políticos dos militares não contavam é que parte significativa dos políticos eleitos pelo PDS iriam sintonizar-se com o pessimismo predominante na sociedade e formariam uma dissidência aberta para aderir ao PMDB e dar a vitória a Tancredo Neves em janeiro de 1985. (Frente Liberal, depois PFL) A ameaça de anulação do voto para quem votasse em candidatos de partidos diferentes funcionou apenas parcialmente a favor do governo. O mal estar com a ditadura e o pessimismo da população não deu a vitória à oposição nas eleições de 1982, por causa da manipulação das regras feitas pela ditadura nas regras eleitorais, mas no colégio eleitoral em 1985 a oposição venceu.

No Brasil de hoje a sensação de bem estar é reforçada com propaganda massiva principalmente através das novas mídias digitais além de refletir as entregas reais de melhorias proporcionadas por ações dos diferentes níveis de governo. Os parlamentares estaduais e federais agem apoiando ou se opondo aos projetos dos governos estadual e federal e também através das emendas de orçamento (68 milhões por ano para cada senador e 37 milhões para cada deputado federal de emendas individuais impositivas fora as emendas de bancada e do relator).

A desaprovação do governo reduziu-se depois da abertura das negociações com Trump e o esvaziamento politico do bolsonarismo. O projeto Lula 4 se fortaleceu mas as pesquisas apontam para um enorme desejo de mudança no plano nacional, o cansaço com o ambiente agressivo de polarização e radicalismo, o crescimento da demanda por racionalidade e moderação. Mesmo que a oposição ainda não tenha um projeto alternativo devidamente “fulanizado”, alguns analistas acreditam que um nome regional ainda desconhecido nacionalmente, sem nenhum dos Bolsonaros na chapa, pode vencer Lula em 2026.

Os governos estaduais estão dando mais certo do que o governo federal e se apropriando do otimismo existente.  Pode ser suficiente para manter o poder no nível estadual mas na eleição presidencial ainda não.

Luiz Paulo Vellozo Lucas
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Luiz Paulo Vellozo Lucas - engenheiro de produção pela UFRJ com cursos de pós graduação em finanças (Arthur Andersen), desenvolvimento econômico(BNDES) e economia industrial (IE-UFRJ), mestrado em Engenharia e Desenvolvimento Sustentável pela UFES. Foi funcionário de carreira concursado do BNDES onde ingressou em 1980, aposentando-se em agosto de 2016. Foi prefeito de Vitória por dois mandatos consecutivos (1997-2000 e 2000-2004), deputado federal pelo Espírito Santo e foi diretor Presidente do BANDES, Banco de Desenvolvimento do Espirito Santo entre 2015 e 2016 e do IJSN-Instituto Jones dos Santos Neves entre 2019 e 2020. Luiz Paulo escreve quinzenalmente, sempre às sextas-feiras.

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