Lucas Izoton
Lucas Izoton
Lucas Izoton é engenheiro e empreendedor com especializações no Brasil e no exterior. Atua nos setores de moda, hotelaria e empreendimentos imobiliários. Fundador da marca COBRA D’AGUA, foi presidente da FINDES e vice-presidente da CNI. É autor de 13 livros, com mais de mil palestras realizadas no Brasil e no exterior. Instrutor do Empretec (ONU/SEBRAE), representou o Brasil em eventos internacionais como dirigente empresarial. Avô de Davi e Elisa.
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Você conhece “Os Passos de Anchieta”? Quer participar?

Existem vários caminhos cristãos pelo mundo, com denominações diferentes para quem os percorre. Na época de Cristo, durante a Páscoa, o caminho feito pelos judeus entre Nazaré e Jerusalém ficou conhecido como “palmeiros”, devido aos ramos utilizados durante a entrada de Jesus na cidade. Quem caminhava até Roma para ver os túmulos de Pedro e Paulo era chamado de “romeiro”. Os que faziam o caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, eram os “peregrinos” (derivado da expressão em latim que significa aquele que cruza o campo).

E quem faz Os Passos de Anchieta no Espírito Santo? São os “andarilhos”, uma homenagem aos indígenas da língua tupi, que chamavam Anchieta de “abarebebê”, que significava “o padre voador”, ou seja, o padre que andava rápido.

Muito mais do que uma caminhada, Os Passos de Anchieta representam uma experiência histórica, espiritual, cultural, turística e humana. Inspirado no antigo percurso feito pelo padre — hoje santo da Igreja Católica — São José de Anchieta, no século XVI, o trajeto liga importantes pontos do litoral capixaba e revive parte da história do Brasil colonial.

Quando os voluntários idealizaram o caminho moderno (100 km), ele acabou ficando um pouco maior do que o percurso original (84 km). A intenção, porém, foi nobre: além de reviver os passos de Anchieta, permitir que os andarilhos passassem pelos principais locais onde ele viveu, trabalhou, evangelizou e construiu relações profundas com os indígenas e com a população da época.

O percurso sai da Catedral de Vitória, ao lado do Palácio Anchieta, passa pela histórica Igreja Matriz do Rosário, na Prainha de Vila Velha, considerada a igreja mais antiga em funcionamento contínuo do Brasil, onde Anchieta viveu seus últimos tempos já bastante debilitado fisicamente. Depois de subir o Convento da Penha, o caminho percorre ainda trechos do litoral dos municípios de Vila Velha, Guarapari e Anchieta, passando por poços, igrejas e aldeamentos ligados à trajetória do santo.

Anchieta nasceu nas Ilhas Canárias em 19 de março de 1534. Aos 19 anos, veio para o Brasil e morreu em 9 de junho de 1597, aos 63 anos. Por ter dedicado praticamente toda a sua vida ao nosso país, é considerado por muitos como um verdadeiro santo brasileiro e ficou conhecido como “Apóstolo do Brasil”.

Existe um episódio emocionante ligado à sua morte. Conta-se que, no dia seguinte ao seu falecimento, cerca de quatro mil indígenas vieram trazendo seu corpo desde a aldeia de Rerigtiba até Vila Velha, para entregá-lo aos jesuítas. Em determinado ponto da caminhada, o corpo caiu do andor. Os índios então gritaram: “Aba Ubu!”, expressão indígena que significa “o padre caiu”. A região passou a ser conhecida como Ubu, hoje famosa por suas praias e pela Ponta de Ubu.

Mas os Passo de Anchieta não são apenas uma viagem ao passado. Caminhar é uma das atividades físicas mais recomendadas pelos médicos. Além de melhorar a saúde cardiovascular, fortalece músculos e ossos, auxilia no controle do peso, melhora a circulação, reduz o estresse, ajuda no combate à ansiedade e pode prevenir doenças como diabetes e hipertensão. Durante a caminhada, o organismo libera endorfinas, promovendo sensação de bem-estar e equilíbrio emocional.

Os filósofos gregos já percebiam a relação entre caminhar e pensar. Aristóteles ensinava caminhando com seus discípulos. Já Sócrates dizia que “a vida sem reflexão não vale a pena ser vivida”, e muitos de seus diálogos aconteciam durante caminhadas por Atenas.

Na Bíblia, o próprio Jesus utiliza a caminhada como símbolo de transformação e fé: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6). Em outra passagem, os discípulos de Emaús reencontram esperança justamente enquanto caminhavam ao lado de Cristo.

Também os poetas enxergavam beleza no ato de caminhar. O poeta espanhol Antonio Machado escreveu uma frase eternizada no mundo inteiro: “Caminhante, não há caminho; o caminho se faz ao caminhar.”

Talvez seja exatamente isso que este caminho representa: mais do que chegar ao destino final, aprender, refletir e transformar-se durante cada passo da jornada.

Quer participar? Será de 04 a 07 de junho de 2026, começando no feriado de Corpus Christi, e mais informações podem ser obtidas em www.ospassosdeanchieta.com.

Lucas Izoton
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Lucas Izoton é engenheiro e empreendedor com especializações no Brasil e no exterior. Atua nos setores de moda, hotelaria e empreendimentos imobiliários. Fundador da marca COBRA D’AGUA, foi presidente da FINDES e vice-presidente da CNI. É autor de 13 livros, com mais de mil palestras realizadas no Brasil e no exterior. Instrutor do Empretec (ONU/SEBRAE), representou o Brasil em eventos internacionais como dirigente empresarial. Avô de Davi e Elisa.

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