
Pesquisa do instituto Democracia publicada pelo jornal O Globo na segunda-feira 11 trouxe a percepção do eleitor brasileiro sobre as lideranças políticas da direita e da esquerda para a sucessão presidencial de 2026. Em uma análise fria dos números, é possível identificar que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), despontam entre os favoritos, de um lado e de outro. Entretanto, se olharmos mais profundamente os resultados, é possível identificar um amplo espaço para crescimento do centro. A rejeição aos nomes postos é muito grande, o que pode favorecer a adesão a um nome fora das bolhas polares. Falta, entretanto, um nome evidente que agregue esses polos.
Entre os eleitores que responderam “não gostar ou gostar pouco”, o senador Sérgio Moro (União Brasil) lidera com 50%, seguido do governador mineiro Romeu Zema (Novo), com 37% e Tarcísio, com 36%. Haddad foi rejeitado por 48% dos pesquisados. Lula e Bolsonaro pontuaram com 35% e 51%, respectivamente.
Na outra ponta da linha, a aceitação dos mesmos nomes foi muito pequena.
O eleitor brasileiro responde de quem “gosta muito”: Lula 33%, Jair Bolsonaro 22%, Tarcísio de Freitas 15%, Fernando Haddad 14%, Sérgio Moro 13% e Romeu Zema 10%. Nenhum deles desponta como preferência absoluta e todos eles ostentam ampla rejeição.
Friamente, os números mostram que o sucessor natural de Lula seria o próprio presidente. No campo da direita, com Bolsonaro inelegível, o nome que desponta é o do governador de São Paulo. Por outro lado, a rejeição aos nomes é superior à aceitação, em todos os casos, incluindo o presidente Lula. Isso se deve à ainda intensa e latente polarização entre esquerda e direita no ambiente político brasileiro: quem pertence a um desses espectros da política repele naturalmente o outro.
Um nome mais ao centro, que pudesse aglutinar esses insatisfeitos, poderia emergir como um forte candidato. Mas o horizonte da política não enuncia uma figura com esse perfil. Eduardo Leite (PSDB), o governador gaúcho, talvez seja a mais proeminente liderança a transitar entre essas duas alas, todavia em levantamentos recentes não pontua tão bem. Talvez a ausência de um posicionamento nacional mais firme seja a responsável por seu nanismo eleitoral.
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, que disputou a eleição contra Bolsonaro e Lula, no ano passado – este, apoiado por ela no segundo turno – também se consolidou como uma terceira via, no entanto sua posição no governo a impede de pleitear algum projeto que não esteja intimamente ligado a este campo político. Os governadores Ronaldo Caiado (União), de Goiás, e Ratinho Junior (PSD), do Paraná, também figura entre os líderes da direita cotados para substituírem Bolsonaro na disputa, e estes apresentam um perfil menos extremado e que caberiam bem em um modelo de centro.
Este eventual eleitor ao centro precisa aglutinar os perfis conservador e liberal, sem macular um lado e outro. Não será tarefa fácil agradar evangélicos com as pautas de costumes sem desagradar a esquerda na tomada de decisões; oferecer às elites do país uma estabilidade econômica ao mesmo tempo em que abre o caixa para as bolsas e auxílios característicos dos programas sociais repelidos pela direita e amados pela esquerda; equilibrar-se entre as políticas sociais e as desenvolvimentistas; adotar uma postura firme contra o parlamentarismo branco do Congresso Nacional e garantir uma base aliada ampla para aprovar suas propostas – articulação esta que deve ser feita antes de a campanha começar, a fim de juntar forças em uma chapa potente.
O levantamento do instituto Democracia revela que há espaço para o centro. Falta um nome, mas carece-se, muito mais, de um discurso, redondo e sofístico, que possa arrebatar esse alto percentual de insatisfeitos, de parte a parte, que se veem polarizados pela ausência de uma plataforma que os junte.









