21 de fevereiro de 2026
sábado, 21 de fevereiro de 2026

O ano que passou e o país que se projeta: economia, justiça tributária e desenvolvimento

Uma das atribuições recorrentes dos economistas é avaliar o desempenho econômico de diferentes regiões ao fim de cada ano. Esse exercício vai além da simples leitura de indicadores. Trata-se de compreender o presente e lançar bases para o futuro, a partir de dados, teoria e análise crítica, capazes de explicar como a economia de fato operou ao longo do período.

O leitor atento ao noticiário econômico reconhece que 2025 foi marcado por um desempenho da economia brasileira acima das expectativas traçadas no início do ano. As principais variáveis macroeconômicas observadas nas análises de conjuntura apresentaram resultados positivos, indicando um cenário de relativa solidez.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, até setembro, o Produto Interno Bruto (PIB) acumulou crescimento de 2,4%, impulsionado sobretudo pelo consumo das famílias. o mercado de trabalho registrou as menores taxas de desocupação a cada edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, registrando 5,6% de desocupação no 3º trimestre de 2025. Já a inflação deve encerrar o ano dentro do teto da meta, com a prévia de dezembro apontando 4,42%.

No Espírito Santo, os indicadores igualmente trazem um balanço positivo. Informações do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) revelam que o PIB estadual acumulou alta de 3% entre janeiro e setembro, enquanto a taxa de desocupação no 2º trimestre caiu para 3,1%, a menor da série histórica. O estado vive, na prática, uma situação próxima ao pleno emprego do fator trabalho, como definem os economistas. Soma-se a isso o crescimento do rendimento médio domiciliar per capita, que ultrapassou R$ 2 mil.

Mais do que os números conjunturais, contudo, 2025 se destaca pelos avanços estruturais na agenda econômica brasileira e capixaba, com potencial de gerar impactos duradouros. O ano entra para a história como aquele em que o país avançou de forma decisiva na pauta da justiça tributária, com a aprovação de uma relevante reforma no Imposto de Renda da Pessoa Física. A nova legislação isenta da tributação rendimentos mensais de até R$ 5 mil, medida que entra em vigor em janeiro de 2026 e deve beneficiar mais de 15 milhões de contribuintes. Para compensar a perda de arrecadação, a lei amplia a taxação sobre altas rendas, a partir de R$ 600 mil anuais.

Trata-se de uma conquista histórica da sociedade brasileira. O país foi capaz de convergir em torno de uma agenda prioritária voltada à melhoria das condições de vida da classe trabalhadora. De forma responsável, a nova regra promove alívio fiscal às famílias de menor renda e convoca aqueles que concentram maiores ganhos a contribuir mais, inaugurando um sistema tributário mais solidário, condição essencial para o enfrentamento das persistentes desigualdades sociais.

No Espírito Santo, o esforço para compatibilizar equilíbrio fiscal e avanços sociais também se manteve ao longo de 2025. A extrema pobreza no estado atingiu seu menor patamar histórico, 1,7%, segundo dados do IJSN. Além disso, foi entregue à sociedade o Plano de Estado – ES 500 Anos, documento estratégico que estabelece diretrizes para o desenvolvimento capixaba até 2035, quando o estado completará cinco séculos de história.

O horizonte de 2026, entretanto, impõe desafios relevantes, ainda que também apresente oportunidades. O Conselho Federal de Economia tem liderado debates sobre os impactos da persistente elevação da taxa básica de juros sobre o desenvolvimento nacional. Sob o argumento de conter a inflação, o país encerra o ano com a taxa Selic de 15% ao ano, patamar que eleva o custo da dívida pública, encarece o crédito para famílias e empresas e compromete o crescimento econômico e a geração de empregos.

Em um ano eleitoral, cabe aos economistas assumir papel central no debate público sobre o futuro que queremos construir. As agendas são amplas, mas a redução das desigualdades sociais e a proteção do meio ambiente precisam ocupar posição prioritária, por serem condições indispensáveis para a manutenção de uma vida digna. É tempo de pactuar com os futuros governantes o compromisso com um desenvolvimento próspero, sustentável e verdadeiramente inclusivo.

O ano que passou e o país que se projeta: economia, justiça tributária e desenvolvimento***

Érika Leal
Professora de Economia do Ifes Campus Cariacica
Presidenta do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES) 

Coluna de Economia
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O que impacta a economia do Espírito Santo e dos capixabas tem um espaço exclusivo em ES Hoje. Por meio de artigos de especialistas a coluna - em parceria com Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES) - visa oferece aos leitores uma análise clara, contextualizada e acessível das dinâmicas econômicas nacionais e internacionais, mostrando como decisões, eventos e tendências globais impactam direta e indiretamente o Espírito Santo. O estado aponta grande crescimento na indústria, comércio, serviços, agro, logística e transporte, portos, petróleo e gás. Em parceria com o Conselho de Economia do Estado, as análises alertam e atualizam o mercado.

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