No último domingo, enquanto o mundo assistia ao Super Bowl 2026, um outro espetáculo acontecia fora do campo. Marcas pagaram cerca de R$ 50 milhões por apenas 30 segundos de comercial. Não pelo tempo na tela, mas por algo cada vez mais raro: atenção concentrada, ao vivo, em escala.
E isso não começou ali. Esse investimento é decidido com muita antecedência. A compra de mídia do Super Bowl é planejada com um ano, às vezes mais, de antecedência. E há um dado revelador: são raríssimos os patrocinadores que não renovam automaticamente de um ano para o outro. Existe fila. Literalmente fila de marcas querendo entrar.
À primeira vista, o número parece um exagero. Mas quando se olha com atenção para o cenário atual da comunicação, ele faz todo sentido.
O mercado de mídia sempre foi definido por audiência. Sempre. Costumava brincar, mas era sério, que os cinco principais fatores de sucesso de uma empresa de mídia eram, do primeiro ao quinto lugar, audiência. E essa não era apenas uma teoria. Nas equipes e projetos que liderei ao longo da vida, isso sempre foi uma premissa básica: sem audiência relevante, não existe modelo sustentável de mídia.
O problema é que a audiência, como a conhecíamos, se fragmentou.
A televisão foi o meu principal campo de atuação por muitos anos, onde exerci a função de diretor em emissora nacional. Vivi uma era completamente diferente. Durante muitos anos programas com menos de 50% de audiência simplesmente não existiam na grade principal. E não estou falando de share, mas de audiência real. Havia programas que chegavam a 80% de share com naturalidade, dominando praticamente tudo o que estava ligado naquele horário.
E não estou falando de picos isolados, como capítulo final de novela ou decisão de campeonato. Estou falando de média. A televisão falava com o país inteiro, ao mesmo tempo, todos os dias. Isso acabou.
E não apenas por causa das múltiplas telas. Hoje, a disputa pela atenção não é só entre emissoras, streamings ou redes sociais. A televisão concorre com o cinema, com o bar, com o restaurante, com a praia, com o sofá… e com o celular que nunca sai da mão.
Nesse cenário, a grande estratégia do mercado anunciante pode ser formulada de maneira simples, e executada de forma extremamente difícil: falar com o maior número possível de pessoas, ao mesmo tempo, com o menor custo possível.
O problema é que, no mundo real, isso se tornou raríssimo. E é exatamente por isso que o Super Bowl vale o que vale.
Ele é uma das pouquíssimas oportunidades no mundo em que milhões de pessoas param para assistir à mesma coisa, ao mesmo tempo, ao vivo. Não é só esporte. É evento. É ritual. É conversa coletiva. É atenção concentrada em escala quase impossível de reproduzir hoje.
O Super Bowl não termina no apito final. O show do intervalo vira assunto global. O presidente dos Estados Unidos comenta. Artistas, marcas, jornalistas, influenciadores e líderes políticos entram na conversa. Mesmo depois do jogo, o evento continua dominando o noticiário e as redes no mundo inteiro.
O Super Bowl é um ecossistema gigantesco de interesses, estratégias e bilhões de dólares em jogo.
Quando uma marca paga R$ 50 milhões por 30 segundos, ela está comprando o que quase ninguém mais consegue entregar: audiência grande, ao vivo, ao mesmo tempo, sem dispersão, sem atraso, sem intermediários. Sem algoritmo. Isso é atenção.
E hoje, no mundo da comunicação, atenção é o ativo mais importante e a moeda mais forte.
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