Em petição protocolada na noite desta terça-feira (3) pelo escritório Stein & Associados, que defende a Apex Partners em processo de Recuperação Judicial, o executivo Dário Graziato Tanure foi indicado formalmente como representante com plenos poderes para negociar e transigir no processo.
Como negociador oficial da Apex Partners na mediação incidental Dário Tanure é quem deverá buscar consensos com credores e investidores no âmbito da RJ. Nacionalmente, seu nome ganhou notoriedade por ter assumido a cadeira de CEO da Reag, empresa envolvida em denúncias relacionadas ao esquema bilionário de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal operado pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Após passar anos no grupo, Dário Tanure foi nomeado CEO e Diretor de Relações com Investidores (DRI) da Reag Investimentos em abril de 2025. Ele assumiu com a missão de reestruturar a governança e tentar dar uma imagem de profissionalismo em um momento em que a gestora crescia aceleradamente.
Em setembro de 2025, logo após a deflagração da Operação Carbono Oculto da Polícia Federal (que investigava a blindagem de fundos ligados ao crime organizado), Tanure liderou um grupo de executivos que comprou o controle da Reag . Eles adquiriram a participação do fundador João Carlos Mansur por meio de uma holding chamada Arandu Partners, assumindo dívidas da companhia em uma tentativa de afastar o fundador e estancar a crise de imagem. Foi sob a sua gestão que a Reag mudou o nome para Arandu Investimentos.

Tanure responde a processos administrativos sancionadores na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por acusação de negociações vedadas com ações em período de silêncio (insider trading) na época em que atuava como DRI da GetNinjas, empresa na qual a Reag havia feito uma agressiva investida acionária.
O processo administrativo da CVM ainda aguarda julgamento.
Resumidamente, ele foi o executivo que tentou salvar o negócio operando a mudança de nome para Arandu, mas acabou ficando diretamente marcado pelas investigações da CVM e pelo colapso bilionário que atingiu o ecossistema da gestora.
O grupo Apex informou em nota que a escolha foi “em razão de sua experiência em gestão e reestruturação empresarial. Executivo da Arandu Partners, Dario atua em uma companhia que passou por uma reorganização societária, com a saída do antigo controlador e o fortalecimento de sua estrutura de governança. Ele é atualmente é CEO da Companhia e exerceu papel fundamental na sua restruturação”.
O rastro da REAG: de Operação Carbono Oculto à “Compliance Zero”
Após atuar como Diretor de Relações com Investidores (DRI) da REAG — período em que passou a responder a um processo administrativo sancionador na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por supostas negociações vedadas com ações da própria empresa. A gestão de Tanure e o grupo REAG colidiram frontalmente com investigações criminais de grande envergadura:
A Operação Carbono Oculto (Agosto de 2025): Deflagrada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Receita Federal, a operação mirou um esquema bilionário de sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis operado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as apurações, a estrutura de fundos da REAG (que chegou a gerir mais de R$ 340 bilhões) foi utilizada em múltiplas camadas para ocultar os beneficiários finais do dinheiro ilícito.
A tentativa de blindagem corporativa: Meses após assumir o comando (em setembro de 2025), e diante da derrocada de reputação e notas de crédito da empresa, Dário Tanure liderou um consórcio de executivos que comprou o controle majoritário (87%) de João Carlos Mansur por R$ 100 milhões — predominantemente em assunção de dívidas —, numa tentativa frustrada de afastar a figura do fundador e reestruturar o negócio por meio de comitês de auditoria.
Liquidação Extrajudicial pelo Banco Central: O ponto final da tentativa de salvamento ocorreu sob o impacto da Operação Compliance Zero. A investigação revelou o uso dos fundos da REAG em fraudes cruzadas com o Banco Master. Diante das graves violações ao Sistema Financeiro Nacional (SFN), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, assinou o ato de liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (antiga Reag Trust DTVM).
O impacto patrimonial e os bens bloqueados
A decretação da liquidação extrajudicial sob a égide da severa Lei nº 6.024/1974 produziu efeitos imediatos e drásticos sobre a cúpula da REAG. A legislação determinou a indisponibilidade e o congelamento de todos os bens dos controladores e administradores (atuais e ex-gestores), atingindo em cheio tanto o fundador João Carlos Mansur quanto o grupo de executivos liderados por Dário Tanure, soterrando de vez os planos de reestruturação privada da marca.
Embora Tanure não tenha sido formalmente denunciado como integrante direto do núcleo de lavagem de dinheiro do PCC, a exposição pública e o cerco regulatório da CVM e do Banco Central consolidaram o colapso operacional da instituição que ele administrava.
Na Apex Partners a participação de Dario Tanure, conforme informou a empresa capixaba, “será técnica, com foco na busca de soluções negociadas entre as partes. A Apex considera que a experiência de Dario e sua trajetória no setor financeiro será fundamental para a refundação do Grupo. O processo a que ele responde na CVM tem caráter estritamente formal, está sendo devidamente explicado e aguarda julgamento. A operação em questão não trouxe qualquer consequência para a companhia que representava, nem para o mesmo”.
Paralelos e trajetórias
Fundada em 2013, a Apex Partners seguiu uma trajetória de expansão acelerada no Espírito Santo, espelhando em grande medida o crescimento meteórico da REAG Investimentos, fundada um ano antes, em 2012. Ambas as marcas ascenderam rapidamente no mercado nacional até figurarem entre as maiores gestoras independentes de ativos do país.
Contudo, os desdobramentos de suas estruturas societárias convergiram para crises de governança de proporções sistêmicas. Enquanto a Apex luta nos tribunais de Vitória para reestruturar passivos estimados em quase R$ 1 bilhão, a REAG protagonizou um dos maiores desmoronamentos regulatórios do mercado financeiro brasileiro recente.
Matéria atualizada com a inclusão da nota da Apex Partners.










