Sem mencionar nomes de candidatos, a administração central da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) emitiu, na noite desta quinta-feira (22) uma carta aberta se posicionando sobre as eleições 2026, que no Brasil – bem como no Estado capixaba – vai ao segundo turno no próximo domingo (25). O posicionamento, no entanto, refere-se à disputa presidencial entre o presidente Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
“A Ufes vem sendo alvo de ataques virtuais, ameaças e informações mentirosas. Há momentos em que é preciso lembrar o que não se negocia. Por isso, a Universidade se dirige à toda a sociedade nesta carta aberta”, inicia a mensagem.
A gestão da universidade demonstra preocupação com os caminhos a partir da decisão eleitoral sob a gestão eventual de Bolsonaro presidente – embora não tenha o nome do candidato em qualquer parte do documento. A carta defende o SUS e destaca a importância da federal na história da sociedade.
Leia a carta na íntegra:
”Às vésperas das eleições de 2º turno para governos estaduais e para a presidência da República, a Ufes vem sendo alvo de ataques virtuais, ameaças e informações mentirosas. Há momentos em que é preciso lembrar o que não se negocia. Por isso, a Universidade se dirige à toda a sociedade nesta carta aberta.
Há mais de 70 anos, a Ufes forma profissionais, produz ciência e leva conhecimento a todo o Espírito Santo e ao mundo. Dessa forma, repudia ameaças, mentiras, agressões e intimidações contra as instituições públicas e contra quem nelas trabalha e estuda. Divergir é legítimo e faz parte da vida em sociedade; mas agir com violência e perseguir, não.
Em 1988, o Brasil assumiu na Constituição um compromisso simples: todos têm voz, todos têm direitos e ninguém está acima da lei. Desse compromisso, nasceu o Sistema Único de Saúde (SUS), que atende a população brasileira em qualquer horário, sem perguntar a renda ou a origem. A Constituição garantiu ainda ensino público gratuito para todos, da educação básica ao ensino superior, e assegurou a liberdade das universidades para ensinar, pesquisar e inovar.
É por isso que a filha de uma trabalhadora doméstica pode ser a primeira médica da família. Graças às pesquisas desenvolvidas nos laboratórios das instituições públicas, um pequeno agricultor consegue otimizar sua colheita. É por causa da educação pública e diversa, dos professores, técnicos e estudantes, que um paciente do Hospital Universitário recebe tratamento de ponta.
Portanto, tenhamos em mente: a Ufes não pertence a um governo, pertence ao povo brasileiro. Um ataque à Ufes e à sua comunidade é um ataque à sociedade brasileira e a toda a população. Atinge quem espera atendimento no hospital, quem sonha com o primeiro diploma da família, quem planta, quem empreende e quem trabalha. Atinge até quem nunca pisou no campus universitário, mas vive melhor pelo o que aqui se produz.
A Ufes é de todos e é em nome de todos que ela se pronuncia.
Administração Central da Ufes”










