O cooperativismo de crédito amplia sua presença no Espírito Santo, onde o Sicredi já reúne mais de 170 mil associados e mantém uma rede com mais de 70 agências. A instituição concedeu mais de R$ 5,1 bilhões em crédito no Estado, dos quais mais de R$ 1,2 bilhão está relacionado ao agronegócio, incluindo operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs).
Os números foram apresentados durante o 11º Encontro Nacional com Jornalistas promovido pelo Sicredi, realizado em Porto Alegre e Nova Petrópolis, na Serra Gaúcha. A programação aborda a trajetória do cooperativismo de crédito e a expansão do sistema em diferentes regiões do país.
Segundo César Bochi, diretor-presidente do Banco Cooperativo Sicredi, a instituição atende mais de 50 municípios capixabas e pretende ampliar sua atuação no Estado.
“O rápido crescimento no Espírito Santo não surpreende, principalmente pela vocação do Estado na agricultura e como os produtores locais têm entendido a força do cooperativismo. Para nós é uma alegria e satisfação fazer parte deste desenvolvimento”, afirmou.
No agronegócio, o crédito pode ser utilizado para diferentes finalidades, como a compra de sementes, fertilizantes e outros insumos, a aquisição de máquinas e equipamentos, a melhoria da infraestrutura das propriedades e o apoio à comercialização da produção. No Espírito Santo, onde a cafeicultura tem relevância econômica, o acesso a recursos financeiros é uma das questões importantes para a continuidade e a expansão das atividades rurais.

Como o produtor rural pode buscar crédito
Para solicitar financiamento pelo Sicredi, o produtor rural deve procurar uma agência e conversar com o gerente responsável pelo atendimento ao agronegócio. O primeiro passo é informar a atividade desenvolvida na propriedade e a finalidade do recurso, para identificar as linhas de crédito disponíveis e as condições aplicáveis ao seu perfil.
Entre as modalidades oferecidas estão o crédito de custeio, destinado a despesas da produção, como insumos e sementes; o crédito para investimento, voltado à compra de máquinas, equipamentos e melhorias na propriedade; e as linhas para comercialização e industrialização. Também há operações por meio de programas como o Plano Safra, conforme o enquadramento do produtor e a disponibilidade de recursos.
A contratação exige que o interessado seja associado à cooperativa. Quem ainda não faz parte do sistema pode procurar uma agência para conhecer as condições de associação e os serviços disponíveis. Durante a análise do pedido, a instituição poderá solicitar documentos pessoais, informações sobre a atividade rural, comprovação da propriedade ou da posse da terra e outros dados necessários à avaliação da operação. Os requisitos variam conforme a linha de crédito e o perfil do solicitante.
No caso da agricultura familiar, o produtor também pode consultar as condições de acesso às linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que dependem do enquadramento e da apresentação da documentação exigida. A liberação do financiamento está sujeita à análise da cooperativa e às regras de cada modalidade.
As informações sobre as linhas de crédito podem ser consultadas no “site do Sicredi”
Crescimento e princípios cooperativistas
A expansão da rede de atendimento também coloca em discussão a importância de preservar os princípios do cooperativismo, como a participação dos associados e o conhecimento sobre o funcionamento desse modelo de organização financeira.
Segundo Rogério Machado, superintendente de Cooperativismo do Sicredi, os produtores rurais têm buscado conhecer melhor essa forma de atuação.
“Isso é de suma importância para que a essência do cooperativismo não seja perdida, mesmo com uma expansão tão rápida como acontece no Espírito Santo. O conhecimento mantém esse espírito e faz com que os produtores indiquem e levem outros produtores para suas cooperativas”, explicou.
Diferentemente de uma instituição financeira tradicional, uma cooperativa de crédito tem os próprios associados como donos do negócio. Eles podem participar das decisões conforme as regras de governança da instituição e, de acordo com os resultados e as deliberações de cada cooperativa, ter direito à distribuição de sobras.
O encontro nacional reúne jornalistas para conhecer a estrutura, a trajetória e as iniciativas do Sicredi. A programação inclui conversas com representantes da instituição e visitas a experiências de associados, além de atividades voltadas à história do cooperativismo na região de origem do sistema.

Eduardo Alencar foi ao evento à convite do Sicredi-ES










