Imóveis de um quarto ganham espaço e já passam de 3 mil unidades em produção na Grande Vitória

Os imóveis de 1 quarto estão ganhando cada vez mais espaço na construção civil da Grande Vitória. São 3.132 unidades desse tipo em produção nos cinco municípios pesquisados pelo 47º Censo Imobiliário do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Espírito Santo (Sinduscon-ES).

O número chama atenção porque está próximo da quantidade de imóveis de 3 quartos em construção, que soma 3.886 unidades. Os apartamentos de 2 quartos ainda são maioria, com 12.378 unidades, enquanto os imóveis de 4 quartos ou mais somam 1.372.

Ao todo, o Censo aponta 20.768 unidades residenciais em produção na Grande Vitória. Também são contabilizadas 543 unidades comerciais, chegando a 21.311 imóveis em produção nos cinco municípios pesquisados.

O levantamento considera os dados de janeiro a junho de 2026 e contou com a participação de 74 incorporadoras e construtoras. A pesquisa acompanha os empreendimentos desde o lançamento até a conclusão e a venda das unidades.

Por que os imóveis de um quarto estão crescendo?

Segundo a avaliação do setor, o avanço dos apartamentos de 1 quarto está relacionado, entre outros fatores, ao crescimento do mercado de aluguel de curta duração, conhecido como short stay.

A possibilidade de alugar o imóvel por períodos menores, inclusive por plataformas como o Airbnb, tornou esse tipo de unidade uma alternativa para investidores. O movimento também acompanha mudanças no perfil das famílias, com mais pessoas vivendo sozinhas.

O próprio Censo registra empreendimentos voltados ao conceito de short stay na Grande Vitória. Entre eles estão o OnBeach Short Stay, o Atma Short Stay e o GS Stay, em Vila Velha.

OnBeach Short Stay
OnBeach Short Stay

Vila Velha concentra maior número de imóveis

Entre as cidades pesquisadas, Vila Velha concentra a maior quantidade de imóveis em produção, com 11.553 unidades. Somente a região denominada Centro de Vila Velha pelo levantamento, que inclui bairros da orla, reúne 7.861 unidades em produção.

Em Vitória, são 4.462 unidades. Jardim Camburi é a região com maior número de imóveis em produção na capital, com 2.295 unidades, sendo 2.121 residenciais e 174 comerciais.

Imóveis econômicos são 38% do total

Dos imóveis residenciais em produção, 38,02% são classificados pelo Censo como ECO (econômicos), categoria que reúne empreendimentos enquadrados no programa Minha Casa, Minha Vida.

Os imóveis classificados como MAP, de médio e alto padrão, representam 61,98% das unidades residenciais em produção.

Cerca de 5,7 mil unidades ainda estão à venda

Apesar do volume de imóveis em construção, cerca de 5,7 mil unidades ainda estão disponíveis para compra, de acordo com os dados apresentados pelo setor. Vitória e Vila Velha aparecem com maior ritmo de vendas.

O cenário é diferente do período em que alguns lançamentos conseguiam vender praticamente todas as unidades em um único dia. A avaliação do empresariado é de um mercado mais cauteloso, influenciado pelo endividamento das famílias, pelos juros altos e pela proximidade do período eleitoral.

Com mais imóveis disponíveis, o consumidor também encontra mais opções para comparar preços, localização e condições de pagamento antes de decidir pela compra.

Para onde o mercado ainda pode avançar?

Em Vila Velha, a expansão imobiliária começa a avançar do litoral para áreas mais internas da cidade. Outra região apontada pelo setor como novo vetor de crescimento é a área ao sul, depois do Jockey de Itaparica em direção a Ponta da Fruta. Segundo o Sinduscon-ES, o Plano Diretor Municipal também favorece esse movimento.

A região ainda registra crescimento no mercado de loteamentos. Esses empreendimentos, no entanto, não entram nos números do Censo Imobiliário.

Na Serra, o setor aponta espaço para novos prédios principalmente nas regiões próximas ao litoral. A expectativa também considera o crescimento econômico de Aracruz.

A instalação de novas empresas no Norte do Estado pode aumentar a procura por moradia na Serra por profissionais de alto escalão que trabalham em Aracruz, mas buscam uma cidade com maior oferta de serviços, hospitais e condomínios de luxo.

Falta de terrenos limita novos projetos em Vitória

Na capital, a disponibilidade de terrenos começa a ser um obstáculo para novos empreendimentos em algumas das áreas mais valorizadas.

Jardim Camburi e Praia do Canto estão entre as regiões onde há menos terrenos disponíveis. Mesmo assim, Jardim Camburi continua liderando a produção imobiliária de Vitória, com 2.295 unidades.

Com a escassez de áreas nas regiões mais valorizadas, locais próximos podem ganhar espaço entre as incorporadoras, como Santa Lúcia, Bento Ferreira e Ilha de Monte Belo. Essas regiões ficam entre áreas com imóveis mais caros, como Praia do Canto, e locais com preços historicamente mais tímidos, como o Centro.

Imóveis de um quarto ganham espaço e já passam de 3 mil unidades em produção na Grande Vitória
Foto: Sinduscon

O Centro também é apontado pelo setor como uma área com oportunidades de investimento, impulsionadas por estímulos governamentais.

Outro ponto citado pelo mercado em Vitória é a questão dos terrenos de marinha. Segundo a avaliação apresentada pelo setor, essas áreas podem dificultar o acesso ao crédito bancário tanto para construtoras quanto para compradores que dependem de financiamento.

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