Quadrilha do golpe do vale-gás tinha “escritório” no Complexo do Alemão e fez vítimas no ES

Uma investigação da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) revelou uma quadrilha que tratava golpes contra idosos como se fossem um negócio. Com funções divididas entre os integrantes, o grupo usava termos como “clientes”, “contratos” e até “escritório” para organizar a fraude que prometia benefícios como vale-gás, cesta básica e acesso à Farmácia Popular.

A investigação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa) e começou após a prisão em flagrante de uma mulher de 34 anos e um homem de 32 anos, em 2 de setembro de 2025, no bairro Redenção, em Vitória.

A partir das prisões, os policiais conseguiram identificar outros oito integrantes. Ao todo, a organização criminosa era formada por 10 pessoas, todas do Rio de Janeiro, segundo a investigação. Dois foram presos e oito foram indiciados.

Como funcionava o golpe

Segundo a Polícia Civil, os criminosos primeiro escolhiam quem seria abordado. O grupo levantava informações sobre as possíveis vítimas, como renda, rotina e horários em que costumavam estar sozinhas em casa.

Depois, entravam em contato por telefone e se apresentavam como pessoas ligadas a programas sociais. As vítimas eram informadas de que teriam direito a receber um benefício, geralmente um vale-gás, mas também eram citados outros serviços, como cesta básica e Farmácia Popular.

Para conseguir o suposto benefício, os idosos eram orientados a fornecer documentos e fazer fotografias. Os criminosos diziam que o procedimento seria necessário para realizar um cadastro. A partir daí, os golpistas marcavam um horário para encontrar a vítima pessoalmente. Era nesse momento que acontecia a parte mais grave da fraude.

Com o celular em mãos, os suspeitos abriam contas bancárias em nome das vítimas e faziam o reconhecimento facial. Segundo a investigação, com acesso às contas, eles conseguiam contratar empréstimos e antecipações de 13º salário, além de movimentar o dinheiro disponível.

Enquanto parte do grupo viajava para o Espírito Santo para abordar as vítimas, outros integrantes permaneciam no Rio de Janeiro e continuavam atuando em outras etapas do esquema. A comunicação entre eles era feita principalmente pelo WhatsApp.

Mais de 50 vítimas no Espírito Santo

Segundo a Polícia Civil, mais de 50 pessoas foram vítimas do grupo no Espírito Santo, tanto na Grande Vitória quanto no interior do estado. Os investigadores afirmam que a quadrilha também atuou em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Alagoas.

A organização funcionou dessa maneira por cerca de um ano no Espírito Santo, até que os integrantes fossem identificados.

Durante as diligências, a polícia encontrou vídeos nos celulares apreendidos que mostram os suspeitos atuando durante as abordagens.

A mulher e o homem presos em setembro de 2025, Joyce Máximo da Silva, de 34 anos, e Rafael de Jesus Guarany de Oliveira, de 32, confessaram a participação no esquema, segundo a polícia.

“Escritório” no Complexo do Alemão

A investigação também apontou que os integrantes mantinham um ponto de encontro no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. O local era chamado pelos próprios criminosos de “escritório”.

A estrutura e a divisão de tarefas chamaram a atenção dos investigadores. Cada integrante tinha uma função dentro do esquema, desde a seleção das vítimas até a abordagem e a movimentação das contas.

Quadrilha do golpe do vale-gás tinha “escritório” no Complexo do Alemão e fez vítimas no ES
Suspeitos tinham funções definidas | Foto: Divulgação PCES

Um dos investigados, identificado como Antônio, também apresenta, segundo a Polícia Civil, indícios de ligação com uma facção criminosa.

Indiciados

Ao concluir o inquérito, a Polícia Civil indiciou o grupo por sete estelionatos praticados contra quatro vítimas, além do crime de organização criminosa.

Os investigadores também apontaram diferentes níveis de participação dentro do grupo. De acordo com a polícia, os integrantes apontados como lideranças podem responder com agravantes relacionados à posição que ocupavam na organização. Com o encerramento do inquérito, os envolvidos passam a responder ao processo criminal pelos crimes apontados pela investigação.

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