A transformação do mercado de trabalho até 2030 deve colocar as competências tecnológicas no centro das estratégias de contratação e qualificação profissional. Segundo o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, habilidades relacionadas à Inteligência Artificial e big data lideram a lista das competências com crescimento mais acelerado em importância, seguidas por redes e cibersegurança e letramento tecnológico.
O levantamento também estima que 39% das habilidades atualmente utilizadas pelos trabalhadores deverão ser transformadas ou se tornar obsoletas até o final da década. Este cenário reforça uma mudança que já pode ser percebida nas empresas, já que conhecimentos digitais deixam de estar concentrados nos departamentos de tecnologia e passam a fazer parte das exigências para profissionais de diferentes áreas.
Para Leonardo Andreoli, diretor nacional da Prepara IA, rede de ensino profissionalizante do Grupo MoveEdu que conta com metodologia voltada à Inteligência Artificial e ao desenvolvimento de hard skills, o profissional do futuro não será necessariamente aquele que domina todas as tecnologias, mas quem consegue incorporá-las à sua atividade.
“Não significa que todo profissional precisará se tornar programador. A grande mudança está em saber utilizar a tecnologia para executar melhor o próprio trabalho. Hoje, a Inteligência Artificial já pode apoiar profissionais de vendas, administração, finanças, marketing, atendimento e inúmeras outras áreas. Quanto mais essas soluções avançarem, maior será a necessidade de desenvolver conhecimentos técnicos para utilizá-las de maneira eficiente”, explica Andreoli.
Diante desse cenário, o especialista aponta sete hard skills digitais que tendem a ganhar relevância até 2030.
Inteligência Artificial e IA generativa
Saber utilizar ferramentas de Inteligência Artificial deve se tornar uma habilidade transversal. Além de conhecer as plataformas, será necessário aprender a elaborar comandos, contextualizar solicitações, analisar resultados e identificar possíveis erros ou limitações. “A IA pode acelerar muitas atividades, mas existe uma diferença grande entre simplesmente acessar uma ferramenta e saber utilizá-la profissionalmente. Quanto maior o conhecimento do usuário, melhores tendem a ser as aplicações da tecnologia no cotidiano”, destaca o diretor nacional da Prepara IA.
Análise e interpretação de dados
Em um ambiente empresarial cada vez mais orientado por informações, profissionais capazes de organizar, interpretar e visualizar dados terão espaço em diferentes áreas. Conhecimentos de planilhas avançadas, dashboards, bancos de dados e ferramentas de BI (Business Intelligence), por exemplo, podem apoiar decisões comerciais, financeiras e operacionais. Segundo Andreoli, o ponto central será transformar números em conhecimento. “As empresas possuem uma quantidade enorme de dados. O diferencial está em conseguir interpretar essas informações e utilizá-las para identificar problemas, oportunidades e caminhos para o negócio”, ressalta.
Automação de processos
Automatizar tarefas repetitivas também tende a fazer parte das rotinas profissionais. Plataformas no-code e low-code, integrações entre sistemas e ferramentas baseadas em IA já permitem criar fluxos automatizados mesmo sem conhecimentos avançados de programação.
Nesse cenário, identificar processos que podem ser automatizados será tão relevante quanto dominar as próprias ferramentas.
Cibersegurança
Com mais dados armazenados digitalmente e sistemas conectados, aumenta também a preocupação das empresas com ataques, vazamentos e fraudes. Por isso, conhecimentos básicos sobre segurança digital devem ultrapassar as equipes de TI.
“A cibersegurança também depende do comportamento das pessoas. Saber identificar uma tentativa de fraude, utilizar corretamente os acessos corporativos e compreender cuidados básicos com dados são conhecimentos que passam a fazer parte da formação profissional”, afirma o executivo.
Computação em nuvem e ferramentas colaborativas
A utilização de sistemas e arquivos armazenados em nuvem já faz parte do cotidiano de inúmeras empresas e deve avançar nos próximos anos. Saber trabalhar com documentos compartilhados, plataformas corporativas, armazenamento remoto e ambientes colaborativos será uma habilidade básica para diferentes ocupações. Mais importante do que conhecer uma plataforma específica será ter facilidade para compreender novos ambientes digitais e adaptar-se às ferramentas adotadas pelas organizações.
Programação e lógica computacional
Mesmo com o crescimento das ferramentas de IA capazes de gerar códigos, conhecimentos em programação continuam relevantes para determinadas profissões. A lógica computacional também pode beneficiar profissionais que não trabalham diretamente com desenvolvimento, ajudando na estruturação de problemas e na compreensão do funcionamento das tecnologias.
“A Inteligência Artificial consegue gerar códigos, mas ainda é necessário saber avaliar o que foi produzido, testar, corrigir e entender se aquela solução realmente atende ao problema. A tecnologia muda a maneira de programar, mas não elimina a necessidade de conhecimento”, pontua o diretor da Prepara IA.
Integração de ferramentas digitais
Até 2030, saber utilizar uma ferramenta isoladamente pode não ser suficiente. A tendência é que profissionais precisem conectar diferentes recursos, como IA, planilhas, CRM, plataformas de gestão, ferramentas de comunicação e sistemas de automação. Para Andreoli, esse movimento muda inclusive o significado de “dominar tecnologia” no ambiente profissional. “Indo além de decorar funcionalidades, será importante entender o problema e saber quais recursos podem ser combinados para resolvê-lo. Essa capacidade de aplicação prática é o que transforma uma hard skill em resultado para o profissional e para a empresa”, pontua.
As próprias transformações previstas pelo Fórum Econômico Mundial mostram que preparar-se para 2030 não significa apenas adquirir uma lista de conhecimentos técnicos. Com tecnologias evoluindo rapidamente, uma habilidade aprendida hoje poderá ser atualizada diversas vezes ao longo da trajetória profissional. Nesse contexto, formações profissionalizantes e cursos de curta duração ganham relevância por permitirem que jovens em início de carreira e profissionais já inseridos no mercado acompanhem novas demandas de maneira mais ágil.
“O ano de 2030 pode parecer distante, mas as competências apontadas para o futuro já estão sendo exigidas hoje. O desafio é não esperar uma tecnologia se tornar obrigatória para começar a aprendê-la. Criar uma rotina de atualização e desenvolver familiaridade com novas ferramentas será fundamental para quem quiser continuar competitivo no mercado de trabalho”, finaliza Leonardo Andreoli.










