Quando alguém pergunta quais são os pilares da economia capixaba, a resposta costuma vir carregada de portos, minério e café. Raramente aparece o comércio atacadista e distribuidor, e essa ausência diz muito sobre como o setor é percebido. Hoje, o atacado responde por quase 30% de toda a arrecadação de ICMS do Estado, supera em volume a participação da indústria e do varejo e movimenta um fluxo comercial interestadual que equivale a mais de quatro vezes o PIB capixaba. São mais de quatro mil empresas presentes em 75 dos 78 municípios. Não há setor com maior capilaridade no Espírito Santo e poucos têm peso econômico comparável.
Mas chegar até aqui levou décadas de transformação. Quem acompanha o setor há mais tempo lembra de um modelo completamente diferente: o atacado de balcão, as relações comerciais presenciais, a distribuição restrita ao entorno imediato. O que existe hoje é outra coisa. O Espírito Santo identificou cedo sua vocação logística, a posição geográfica no centro do litoral brasileiro, a proximidade com os grandes portos, a infraestrutura em expansão e apostou nela. Com o tempo, as empresas vieram. Primeiro as capixabas que cresceram, depois as de fora que escolheram o Estado para operar em escala nacional. O resultado é um setor que deixou de ser regional para se tornar um hub de distribuição com alcance em todo o país.
Essa trajetória não aconteceu sozinha. O Sincades esteve presente em cada etapa relevante da construção dos marcos regulatórios, na defesa dos incentivos fiscais, no diálogo permanente com o poder público. Ao longo dos anos, a entidade foi se consolidando não apenas como voz do setor, mas como interlocutora qualificada nas discussões que moldam o ambiente de negócios do Estado. Representar um setor hoje significa muito mais do que reivindicar: significa antecipar cenários, propor soluções e construir pontes entre o interesse empresarial e o interesse público. É esse o papel que o Sincades tem desempenhado e que segue mais necessário do que nunca diante dos desafios que se aproximam.
Há, porém, uma dimensão do setor que os números macroeconômicos não conseguem capturar inteiramente: o impacto humano. O atacado e a distribuição empregam diretamente mais de 56 mil trabalhadores formais no Estado e mais de 120 mil quando somados os postos indiretos. São motoristas, operadores de armazém, analistas fiscais, vendedores externos, técnicos de logística. São famílias sustentadas em Serra, em Cariacica, em Viana, mas também em municípios do interior que dependem diretamente da presença de uma empresa distribuidora para ter movimento econômico. Esse impacto é invisível porque acontece dentro de galpões, dentro de caminhões, dentro de sistemas. Longe dos olhos de quem consome o resultado final sem saber de onde veio.
E esse setor, frequentemente associado a uma imagem de operação braçal e tradicional, é hoje um dos que mais investem em tecnologia no Estado. A automação de armazéns, os robôs colaborativos, a inteligência artificial aplicada à previsão de demanda e à otimização de rotas já são realidade nas principais operações capixabas. A modernização não veio para eliminar postos de trabalho, veio para tornar as operações mais precisas, mais rápidas e mais competitivas. E criou, no processo, uma demanda crescente por profissionais com novas competências: analistas de dados, especialistas em sistemas de gestão, técnicos em automação. O setor que moderniza é o setor que permanece.
O Espírito Santo tem uma janela de oportunidade que poucos estados brasileiros possuem: a combinação de localização estratégica, infraestrutura em expansão e um setor atacadista e distribuidor já consolidado como referência nacional. Essa vantagem não se mantém sozinha, ela depende de escolhas. Segurança jurídica, investimento em logística e planejamento inteligente da transição tributária que se avizinha com a Reforma de 2032 são decisões que o Estado precisa tomar conduzir.
O setor está preparado para continuar crescendo, gerando empregos e contribuindo para o desenvolvimento de todos os municípios capixabas. E seguirá fazendo isso, como sempre fez, com trabalho, com investimento e com a convicção de que o Espírito Santo tem tudo para ser, cada vez mais, um dos grandes centros de distribuição do país.
***

***







