Ser magro, praticar exercícios físicos e não sentir desconfortos não significa estar livre do risco de infarto. Isso porque fatores como hipertensão, colesterol alto, alterações na glicemia e predisposição genética podem evoluir durante anos sem provocar sintomas ou mudanças visíveis no corpo.
A associação entre aparência física e coração saudável pode levar pessoas consideradas fora do perfil clássico de risco a não acompanharem indicadores importantes, como pressão arterial, colesterol e glicemia.
“O espelho não mede pressão arterial, não mostra colesterol alto e não revela uma predisposição genética. Uma pessoa pode estar com o peso adequado, trabalhar normalmente, fazer atividade física e ainda assim carregar fatores de risco importantes”, explica a cardiologista Bianca Maria Prezepiorski.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pressão arterial elevada, glicemia aumentada e alterações nos níveis de gordura no sangue estão entre os fatores associados ao risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e outras doenças cardiovasculares.
A hipertensão exige atenção especial porque, na maioria dos casos, não provoca sintomas. Por isso, medir a pressão regularmente é fundamental para identificar a condição.
Magreza não elimina fatores de risco
O peso é apenas um dos componentes considerados na avaliação cardiovascular. Tabagismo, sedentarismo, alimentação inadequada, diabetes, hipertensão, colesterol alterado, idade e histórico familiar também influenciam o risco.
Mesmo a prática regular de exercícios, apesar dos benefícios para o coração, não elimina automaticamente os efeitos da genética, do tabagismo ou de doenças metabólicas.
O histórico familiar merece atenção principalmente quando pais ou irmãos desenvolveram doenças cardiovasculares precocemente. Essa informação pode ajudar o médico a definir quando iniciar a investigação e com qual frequência o acompanhamento deve ser realizado.
É preciso esperar algum sintoma?
Procurar atendimento somente após sentir dor no peito, falta de ar, palpitações ou queda no desempenho físico pode atrasar o diagnóstico. Algumas doenças cardiovasculares se desenvolvem silenciosamente por anos.
Isso não significa que todas as pessoas precisem realizar os mesmos exames. A avaliação deve levar em conta idade, hábitos, condições de saúde, antecedentes pessoais e histórico familiar.
A recomendação é conhecer os próprios fatores de risco, acompanhar a pressão arterial, verificar os níveis de colesterol e glicemia, não fumar, manter uma rotina de exercícios e buscar orientação médica individualizada. O alerta ganha destaque com a proximidade do Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro.










