Perícia descarta suicídio e aponta que mulher foi assassinada pelo ex em Vitória

A morte de uma mulher no bairro Bonfim, em Vitória, no último dia 3 de setembro, teve uma reviravolta após a investigação apontar que ela não tirou a própria vida, mas foi assassinada pelo ex-companheiro. Cintia Renata da Silva, de 41 anos, morava com o suspeito e os filhos e foi morta dentro de casa. O resultado das investigações foi divulgado pela polícia nesta sexta (11).

Inicialmente, a ocorrência foi tratada como uma possível morte por suicídio. Cintia foi encontrada deitada sobre a cama, com uma lesão no pulso esquerdo e duas cartelas vazias de um medicamento sedativo ao lado do corpo.

Porém, ainda nas primeiras análises feitas no local, peritos da Polícia Científica identificaram sinais de que a morte havia sido provocada por outra pessoa, de forma violenta.

A perícia constatou que Cintia tinha diversas lesões causadas por golpes de arma branca. Algumas delas estavam em uma região posterior da axila, em locais que, segundo os investigadores, seriam praticamente impossíveis de serem atingidos pela própria vítima.

Outro detalhe chamou a atenção dos peritos: uma lesão considerada de defesa. O ferimento indica que, mesmo que Cintia tivesse sido dopada, ela pode ter tentado se proteger durante as agressões.

Com os primeiros indícios de que não se tratava de suicídio, a investigação passou a buscar o que havia acontecido dentro da casa e qual seria a relação do ex-companheiro com a morte.

Versões do ex não se sustentaram

Durante as diligências, os investigadores identificaram contradições nas versões apresentadas pelo ex-companheiro de Cintia.

Em um primeiro momento, ele afirmou que havia trabalhado no dia do crime. A polícia, porém, procurou o local de trabalho e verificou que a informação não correspondia ao que havia acontecido. Ao ser confrontado, o homem mudou a versão e disse que havia trabalhado em outro local naquele dia. Novamente, a informação foi checada e acabou sendo desmentida.

Além das contradições, testemunhas relataram um comportamento diferente do habitual por parte do suspeito naquele dia. Segundo a investigação, ele enviou mensagens para informar onde estava, procurou Cintia por mensagens e levou a filha para um parque, entre outras atitudes que não costumava ter.

“Foi uma série de fatos que foram feitos naquele dia por ele ara que pudesse simular aquela cena que nos levasse a crer que foi um suicidio ou para que ele se eximisse da culpa”, revelou a chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), delegada Raffaella Aguiar.

A investigação também apontou que o relacionamento entre Cintia e o ex-companheiro era marcado por agressões físicas e verbais. Apesar disso, ela nunca havia registrado uma ocorrência contra ele. Segundo a polícia, uma das razões era a dependência financeira do homem para manter a casa e ajudar no sustento das crianças.

Prisão no mesmo dia

A partir da combinação dos elementos encontrados pela perícia, dos depoimentos e das contradições apresentadas pelo suspeito, os investigadores reuniram informações suficientes para prendê-lo em flagrante por feminicídio.

Após a morte da mulher, o homem chegou a ser levado para um Pronto Atendimento de São Pedro depois de passar mal. Mas após receber atendimento médico ele já saiu da unidade direto para a delegacia e depois para o presídio.

A polícia reforça a importância de que mulheres que vivem situações de violência procurem ajuda e registrem as agressões. Segundo a investigação, mesmo quando existe dependência financeira ou outras dificuldades para romper o relacionamento, a denúncia permite que os órgãos públicos adotem medidas para tentar interromper o ciclo de violência.

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