Moradia e violência de gênero pautam Grito dos Excluídos em Vitória

Movimentos sociais, pastorais, centrais sindicais e representantes de diferentes entidades participaram, nesta segunda-feira (7), da 32ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas, em Vitória. A manifestação teve concentração no Portal do Príncipe, no Centro da capital, e seguiu em caminhada até o Palácio Anchieta.

Neste ano, o ato teve como lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!” e levou às ruas pautas relacionadas à crise habitacional, à violência contra as mulheres e à garantia de direitos sociais.

A mobilização faz parte de uma agenda nacional realizada tradicionalmente no 7 de Setembro e mantém como tema central “Vida em Primeiro Lugar!”. No Espírito Santo, a edição deste ano buscou chamar atenção para situações consideradas de maior vulnerabilidade social.

Entre os principais pontos levantados pelos organizadores está a falta de moradia adequada no país. Segundo dados citados pela organização, com base na Fundação João Pinheiro, o Brasil tem 5,97 milhões de domicílios em déficit habitacional e outros 27,6 milhões em situação de inadequação, incluindo problemas como infraestrutura precária, adensamento excessivo e insegurança fundiária.

As mulheres aparecem de forma central nesse cenário. Famílias chefiadas por mulheres representam 62,6% do déficit habitacional brasileiro, de acordo com os dados apresentados pelo movimento.

Outro eixo do ato foi o combate à violência de gênero. A organização destacou o número de feminicídios registrados no país e associou a defesa da vida das mulheres à necessidade de políticas públicas de proteção, moradia e garantia de direitos.

Para o vigário episcopal para Ação Social, Política e Ecumênica, padre Kelder Brandão, o Grito dos Excluídos busca dar visibilidade às demandas de grupos socialmente vulneráveis e relacioná-las às pautas discutidas pela Igreja e pelos movimentos sociais.

A secretária executiva do Vicariato para Ação Social, Política e Ecumênica, Maria de Fátima Castelan, também destacou a relação entre justiça social e paz.

“Quando todas as pessoas tiverem seus direitos garantidos e respeitados, é que nós vamos poder falar de paz. A paz é fruto da justiça”, afirmou.

A manifestação em Vitória integrou as mobilizações realizadas em diferentes cidades do país neste 7 de Setembro.

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