Quilombolas interditam BR-101 em São Mateus

A BR-101, em São Mateus, no Norte do Espírito Santo, amanheceu totalmente interditada devido a uma manifestação de comunidades quilombolas e povos tradicionais nesta segunda-feira (7). O bloqueio ocorre próximo ao campus da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

O protesto reúne moradores que cobram a inclusão das comunidades no Anexo 3 do Novo Acordo do Rio Doce, a repactuação das medidas de reparação pelos danos provocados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015.

O anexo trata especificamente da reparação destinada a povos indígenas, comunidades quilombolas e outros povos e comunidades tradicionais atingidos pelo desastre. Entre as medidas estão ações de reparação e compensação por danos coletivos, além de auxílios financeiros e de subsistência.

A repactuação foi assinada em outubro de 2024 e posteriormente homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O acordo tem valor global de R$ 170 bilhões e envolve Samarco, Vale e BHP Billiton, além da União e dos governos de Minas Gerais e do Espírito Santo. Desse montante, R$ 8 bilhões foram destinados a ações voltadas aos povos indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais atingidas.

A inclusão no processo de reparação, porém, tem sido motivo de conflitos no Espírito Santo. Comunidades atingidas vêm denunciando dificuldades para obter reconhecimento e acessar as medidas previstas no acordo. Em 2025, por exemplo, quilombolas de Povoação, em Linhares, denunciaram que famílias descendentes de troncos históricos da comunidade haviam ficado fora da relação de beneficiários do Anexo 3.

O impasse também já motivou protestos de indígenas no Estado. Comunidades Tupinikim e Guarani de Aracruz realizaram bloqueios e ocupações cobrando participação no processo de repactuação e avanço das medidas de reparação. O próprio Judiciário registrou, no fim de 2025, que a execução do Anexo 3 ainda estava em fase de consulta aos povos indígenas atingidos.

Em São Mateus, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) está no local e negocia com os manifestantes uma forma de liberar o trânsito. Até o momento, o trecho permanece totalmente interditado e não há previsão de liberação.

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