Cripta Imperial com restos mortais de Dom Pedro 1º reabre após restauro de R$ 5,3 milhões

(FOLHAPRESS) – O mausoléu com os restos mortais de figuras centrais do Brasil império voltará a receber visitantes na zona sul da cidade de São Paulo após quase quatro anos. A Cripta Imperial, no subsolo do Monumento à Independência, no Ipiranga, será reaberta nesta segunda-feira (7).

A data marca os 204 anos da Independência do Brasil. A cerimônia ocorrerá às 14h30. Após o evento, visitas guiadas serão realizadas.

O local permaneceu fechado desde o final de 2022 enquanto passou por reformas estruturais e restauro que custaram R$ 5,3 milhões, segundo a Secretaria de Cultura da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). O investimento também foi aplicado na recuperação de itens e estruturas do acervo do Museu da Cidade de São Paulo.

A reforma pretende dar conforto aos frequentadores. Novos banheiros, sistema de ar-condicionado e acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida em todo o espaço subterrâneo estão entre as benfeitorias, segundo a prefeitura.

Equipes especializadas restauraram o bronze dos sarcófagos imperiais e concluíram o fechamento do teto com mármore amarelo. Houve limpeza da área externa do monumento e também pintura e reparo de trincas na Casa do Grito.

A construção de taipa de mão próxima ao monumento é associada ao 7 de Setembro devido à semelhança com uma casa retratada no quadro “Independência ou Morte” de Pedro Américo (1843-1905).

Visitação

A partir de terça-feira (8), o local funcionará em horário regular, de terça a domingo, das 9h às 17h. Esse também será o período de visitação para a exposição inaugural “Representações da Nação: O Monumento à Independência e a Cripta Imperial”, sob curadoria da historiadora Marly Rodrigues.

Composta por painéis resultantes de concurso internacional promovido pela prefeitura, a mostra detalha a idealização do monumento e da cripta, revelando o papel dessas estruturas no reforço de marcos cívicos.

O Monumento à Independência e a cripta subterrânea refletem diferentes fases da memória cívica do país. Embora o monumento tenha sido idealizado muito antes, logo após o próprio Grito da Independência, a primeira grande construção do parque foi o Museu do Ipiranga.

Com a proximidade do centenário, ergueu-se o Monumento, inaugurado incompleto em 7 de setembro de 1922 e concluído em 1926. A Cripta Imperial só foi incorporada três décadas depois, inaugurada em 7 de setembro de 1952 para antecipar as comemorações do quarto centenário de São Paulo.

O jazigo subterrâneo abriga os restos mortais de três figuras da realeza imperial brasileira, cujos corpos chegaram ao local em épocas distintas. A imperatriz Maria Leopoldina, primeira esposa de dom Pedro 1º, sepultada antes no Rio de Janeiro, foi a primeira ocupante da cripta. Sua transferência ocorreu em meio às celebrações do quarto centenário de São Paulo.

Os despojos de dom Pedro 1º chegaram em 1972, no Sesquicentenário da Independência, após acordo com o governo português. O corpo cruzou o Atlântico a bordo de um navio e percorreu várias capitais estaduais brasileiras antes de chegar à cripta, embora seu coração permaneça na cidade portuguesa do Porto.

Por fim, os restos mortais da imperatriz Dona Amélia, segunda esposa do imperador, foram trazidos de Lisboa em 1982 para repousar ao lado da família. Dona Amélia estava sepultada no Panteão dos Braganças, onde permaneceu desde 1972 sem o marido.

Em 2012, os corpos passaram por um processo de exumação científica, ocasião em que os peritos constataram que o corpo de Dona Amélia se encontrava em excelente estado de preservação, estando perfeitamente mumificado de forma natural.

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