Quase metade dos brasileiros nunca ouviu falar em ceratocone, aponta pesquisa

Quase metade dos brasileiros ainda desconhece o ceratocone, uma doença ocular progressiva que altera o formato e provoca o afinamento da córnea, comprometendo a qualidade da visão. É o que aponta um estudo recente publicado na Revista Brasileira de Oftalmologia, realizado com 879 adultos. Segundo a pesquisa, 45,8% dos participantes nunca tinham ouvido falar sobre a doença, enquanto apenas 31,5% afirmaram conhecer o ceratocone.

Para o oftalmologista Bruno Valbon, o desconhecimento é preocupante porque o ceratocone pode começar de maneira silenciosa e ser confundido com uma simples mudança no grau dos óculos.

“Um dos sinais que merece atenção é quando o grau muda com muita frequência, principalmente quando existe uma evolução importante do astigmatismo. Em crianças e adolescentes, essa mudança precisa de mais atenção. Nem toda alteração de grau significa ceratocone, mas quando ela acontece de forma rápida e recorrente, é importante investigar”, explica.

A doença costuma se manifestar principalmente na adolescência e no início da vida adulta. Como os primeiros sintomas podem ser discretos, o paciente pode acreditar que precisa apenas atualizar os óculos. Com a evolução do ceratocone, porém, a visão pode permanecer borrada ou distorcida mesmo com a correção atualizada.

Quase metade dos brasileiros nunca ouviu falar em ceratocone, aponta pesquisa
Foto: divulgação

Coçar os olhos também merece atenção

Outro dado que chama atenção na pesquisa é a frequência de fatores associados ao risco de desenvolvimento ou progressão do ceratocone. 42,1% dos participantes relataram ter alergia ocular e 31,3% disseram esfregar os olhos com frequência.

O hábito de coçar os olhos repetidamente pode exercer pressão e contribuir para alterações estruturais da córnea, especialmente em pessoas que já apresentam predisposição.

“É muito comum que a pessoa com alergia tenha coceira e, consequentemente, coce os olhos várias vezes ao dia. Esse comportamento deve ser evitado. Quando existe coceira frequente, é importante tratar a alergia e fazer acompanhamento oftalmológico, principalmente se houver alterações no grau ou na qualidade da visão”, orienta doutor Bruno.

Diagnóstico precoce amplia as possibilidades de controle

A pesquisa também evidencia o desconhecimento sobre os tratamentos disponíveis. Apenas 31,5% dos entrevistados já tinham ouvido falar no cross-linking da córnea, procedimento utilizado para aumentar a resistência da córnea e interromper ou estabilizar a progressão do ceratocone. O conhecimento sobre os anéis intracorneanos também foi baixo: apenas 22,1% conheciam essa possibilidade terapêutica.

Quase metade dos brasileiros nunca ouviu falar em ceratocone, aponta pesquisa“O ceratocone não deve ser encarado como uma doença sem alternativas. Hoje temos diferentes estratégias de tratamento, que são escolhidas de acordo com o estágio e as características de cada caso. O mais importante é identificar a doença antes que ela avance. O diagnóstico precoce pode permitir uma intervenção capaz de estabilizar a córnea e preservar melhor a visão”, destaca o oftalmologista.

Entre os sinais que merecem avaliação oftalmológica estão aumento frequente ou acelerado do grau, principalmente do astigmatismo, visão borrada ou distorcida, dificuldade para enxergar mesmo com óculos atualizados e necessidade recorrente de trocar a correção visual. Alterações que começam durante a adolescência também devem ser acompanhadas com atenção.

“Quando falamos em saúde ocular, não devemos esperar a visão piorar significativamente para procurar ajuda. Mudanças frequentes na qualidade da visão, especialmente durante a adolescência, são um motivo para investigar. Quanto mais cedo identificamos uma eventual progressão, maiores são as possibilidades de preservar a visão e escolher o tratamento mais adequado”, finaliza Valbon.

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