Apex Partners convoca Assembleia Geral Extraordinária para 7 de setembro

A Apex Partners Gestão de Ativos S.A. realiza no próximo dia 7 de setembro uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para ratificar medidas de blindagem contra credores e validar atos da administração interina. A reunião ocorre em meio à reestruturação do grupo financeiro capixaba, que enfrenta passivo estimado em quase R$ 1 bilhão e disputas judiciais.

Convocada oficialmente no fim de agosto, a assembleia tem como pauta principal formalizar na esfera societária os passos adotados pela nova gestão para tentar organizar as contas e manter as operações. O encontro atende a exigências da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, que determinou que as empresas do grupo comprovem a concordância dos acionistas em permanecer na ação judicial.

A ata do encontro e as deliberações dos acionistas deverão ser apresentadas ao processo para regularizar a representação legal das sociedades do grupo Apex.

Mudança no comando e rombo de R$ 985 milhões marcam crise

A realização da AGE é reflexo direto de uma das maiores crises recentes do mercado financeiro do Espírito Santo. A Apex Partners, que chegou a administrar R$ 18 bilhões em ativos, entrou em turbulência após sócios apontarem inconsistências contábeis e dívidas estimadas em R$ 985,6 milhões.

A crise provocou ruptura na alta liderança. No início de agosto, a holding controladora destituiu o fundador Fernando Antonio Kulnig Cinelli do cargo de diretor-presidente e das funções administrativas. O diretor de Finanças, Eduardo Costa Constâncio Siqueira, também foi afastado. O executivo Marcelo Murad Brumana assumiu a presidência interina.

A nova gestão acusa a antiga diretoria de gestão temerária e de omitir a real dimensão dos débitos. A Justiça de Vitória chegou a decretar o bloqueio de bens de Cinelli após identificar transferências não justificadas e movimentação de ativos em prejuízo a credores. O empresário nega irregularidades e afirma que as decisões do grupo eram tomadas de forma colegiada por comitês internos.

Entre os episódios que desencadearam a crise estão investimentos malsucedidos na agência de viagens CVC e o rompimento unilateral da parceria de distribuição de produtos financeiros pelo Banco BTG Pactual.

Defesa relata falta de contratos de ‘cashback’ e pede mais prazo à Justiça

Em manifestação protocolada na Justiça de Vitória no dia 31 de agosto, os advogados da Apex informaram que até o momento não encontraram contratos ou documentos que comprovem o lastro das obrigações chamadas de “cashback”. Essas operações representam um volume estimado em R$ 309,8 milhões.

Segundo a defesa da gestão interina, essa quantia não pode ser classificada como um “passivo atual e certo”, mas sim como uma expectativa de débito futuro que ainda depende de auditagem interna para ser apurada.

No mesmo documento, a empresa informou que criou um ambiente virtual seguro (data room) para armazenar documentos corporativos, e-mails e registros financeiros, permitindo o acesso de auditores e peritos judiciais. A defesa também solicitou mais prazo ao juiz para concluir a regularização da representação das 161 empresas vinculadas ao grupo e para apresentar os extratos bancários das contas corporativas.

A Apex garantiu que continua cumprindo as ordens judiciais de não alienar patrimônio, não distribuir lucros a controladores e manter o pagamento em dia de empregados e colaboradores.

Já o ex-diretor presidente da empresa Fernando Cinelli disse que sempre exerceu suas funções executivas na Apex com seriedade e transparência. Ele defende a necessidade de uma apuração documental independente sobre os dados referentes às empresas e a cadeia de informações e decisões dentro do grupo.

Você por dentro

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

Escolha onde deseja receber nossas notícias em primeira mão e fique por dentro de tudo que está acontecendo!

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas

Notícias Relacionadas