Uma ação de fiscalização contra o desmatamento ilegal resultou em R$ 656 mil em multas e no embargo de 80,18 hectares de áreas no Espírito Santo. O balanço faz parte da Operação Nacional Mata Atlântica em Pé 2026 e foi divulgado nesta segunda-feira (31), em Vitória pelo Ministério Público do Estado.
As ações no Espírito Santo foram realizadas entre os dias 10 e 21 de agosto, nos municípios de Afonso Cláudio, Brejetuba e Laranja da Terra, na região Sudoeste Serrana. Ao todo, as equipes vistoriaram 97,23 hectares distribuídos em 98 pontos.
Durante as fiscalizações, foram identificadas irregularidades ambientais que levaram à emissão de 84 autos de infração. As multas somam R$ 656 mil. Já os 80,18 hectares embargados são áreas onde foram encontradas irregularidades e que ficam impedidas de continuar sendo utilizadas enquanto a situação não for resolvida.
Como a fiscalização encontrou as áreas
Segundo o MPES, o trabalho começou antes mesmo da chegada das equipes às propriedades. Imagens de satélite foram usadas para identificar locais que apresentam sinais de retirada de vegetação. Os fiscais utilizaram principalmente alertas de desmatamento do MapBiomas e do sistema ES+. A partir dessas informações, os órgãos envolvidos selecionaram os municípios e os pontos que deveriam ser vistoriados.
Depois, as equipes foram até os locais para verificar se os alertas realmente correspondiam a áreas desmatadas e identificar as irregularidades. Quando os problemas foram confirmados, foram aplicadas as multas e determinadas as restrições de uso das áreas.
Segundo o órgão, o trabalho permite chegar a poucos metros dos pontos indicados pelos sistemas de monitoramento, aumentando a precisão das fiscalizações.

Além do desmatamento
A operação também encontrou outros problemas ambientais no Espírito Santo. Durante as ações, 53 aves foram apreendidas. Também foram registrados 16 casos de captação de água sem autorização, identificados pela Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh).
O Ministério Público informou que continuará acompanhando os casos encontrados durante a operação para cobrar as medidas necessárias e a recuperação das áreas que sofreram danos.
Operação reuniu vários órgãos
No Espírito Santo, a fiscalização foi realizada em conjunto pelo MPES, por meio da área de defesa do meio ambiente, Polícia Militar Ambiental, Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), Agerh e Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer).
A operação é realizada todos os anos para combater o desmatamento ilegal e ajudar na recuperação de áreas da Mata Atlântica.
Durante a apresentação dos resultados, a promotora de Justiça Bruna Legora de Paula Fernandes destacou a importância da Lei da Mata Atlântica, que completou 20 anos. Segundo ela, antes da criação da legislação, o país registrava uma média de 110 mil hectares de desmatamento por ano. Atualmente, essa média caiu para cerca de 10 mil hectares por ano.
Apesar da redução, a promotora ressaltou que o número ainda é considerado alto e que o objetivo é chegar ao desmatamento zero.
Resultado nacional
A operação também foi realizada em outros estados que possuem áreas de Mata Atlântica. Entre os dias 17 e 27 de agosto, equipes fiscalizaram 1.520 alertas de desmatamento em 17 estados.
Até o momento, o balanço nacional aponta 8.370,28 hectares de desmatamento ilegal identificados e aproximadamente R$ 100 milhões em multas aplicadas. Os números ainda podem ser atualizados conforme os estados terminem de consolidar os resultados.
Além do Espírito Santo, participaram da operação Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.










