Oito pessoas foram presas e cerca de R$ 2,8 milhões em mercadorias foram apreendidos no Espírito Santo durante a segunda edição da Operação Redecarga, uma ação nacional para combater o comércio ilegal e a circulação de produtos sem o pagamento de impostos. A operação foi realizada entre 27 de julho e 7 de agosto, e os resultados foram divulgados nesta segunda-feira (24).
No Espírito Santo, as equipes fizeram fiscalizações em depósitos, abordagens em rodovias e blitz. Durante o trabalho, os policiais também identificaram possíveis esquemas usados por quadrilhas para dar aparência de legalidade a cargas desviadas.
Um dos casos investigados envolve os chamados “saques fakes”. Segundo a polícia, criminosos simulavam o saque de cargas para, depois, colocar os produtos à venda em pequenos estabelecimentos de forma irregular, sem nota fiscal e sem o pagamento dos impostos.
Entre os produtos encontrados estão canetas emagrecedoras, armas de fogo, bebidas alcoólicas e diversos equipamentos eletrônicos que, segundo as investigações, seriam destinados ao comércio ilegal no Espírito Santo.
Carga de R$ 1,5 milhão foi apreendida em caminhão em Viana
Uma das maiores apreensões aconteceu em Viana. Um caminhão foi abordado depois que a Receita Federal identificou uma possível irregularidade na carga e acionou a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
No veículo estavam eletrônicos, como celulares e óculos de realidade virtual. A carga foi avaliada em aproximadamente R$ 1,5 milhão e, segundo as autoridades, teria entrado no Brasil sem o recolhimento dos impostos devidos.
Mercadorias retidas no Porto de Vitória também foram alvo da operação
Parte dos produtos apreendidos estava entre mercadorias importadas retidas pela Alfândega do Porto de Vitória. Segundo a polícia, os produtos teriam entrado no país sem o devido recolhimento dos tributos de comércio exterior.
O delegado adjunto da Alfândega do Porto de Vitória, Luiz Cláudio Peixoto Lobo, explicou que as mercadorias tinham como destino diferentes pontos da Grande Vitória e de outras regiões do Espírito Santo.
Os donos dos produtos ainda podem comprovar a origem legal da carga. Caso consigam apresentar a documentação necessária, poderão pagar os tributos devidos e receber as mercadorias de volta. Se não houver comprovação da legalidade, os produtos continuam retidos.
Mais de 350 servidores participaram da operação
A Operação Redecarga foi coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). No Espírito Santo, participaram equipes da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), Secretaria da Fazenda (Sefaz), Receita Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil e Polícia Militar. Mais de 350 servidores dos diferentes órgãos participaram das ações em todo o estado.
Segundo o levantamento apresentado, entre janeiro e junho de 2025 foram registrados 3.851 roubos de carga em todo o país. No Espírito Santo, foram 13 ocorrências no período. Já nos seis primeiros meses de 2026, o estado registrou cinco roubos de carga.
O delegado Luiz Cláudio Peixoto Lobo alerta para que consumidores não comprem produtos de origem duvidosa.
“Além da concorrência desleal, você tira da União os impostos que seriam destinados à saúde, educação e segurança, fora a questão da saúde pública, por exemplo as canetas emagrecedoras, que a gente não sabe o que vem nessas que vem importada do Paraguai, por exemplo”, destacou.
As investigações sobre os casos identificados durante a operação continuam.










