Em meio ao anúncio da Casas Bahia do pedido de recuperação judicial para estancar a crise financeira, dois membros do conselho de administração da varejista e o diretor jurídico, Fábio Spina, renunciaram aos cargos no domingo (16).
Segundo a Casas Bahia, a empresa decidiu reduzir o tamanho do conselho de administração, e por isso os conselheiros não serão substituídos.
Dono das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, o grupo tem dívida declarada de R$ 17,3 bilhões, que se estende pelas dez empresas da holding. Demissões e o fechamento de ao menos 298 lojas também entram na conta.
A renúncia dos executivos foi anunciada às 16h do domingo, dia em que saíram os resultados financeiros da companhia. A Casas Bahia registrou piora nos números para o segundo semestre de 2026, saindo de um prejuízo de R$ 555 milhões em igual período do ano passado para R$ 10,1 bilhões.
Fábio Eduardo de Pieri Spina ocupava a direção jurídica e tributária do grupo Casas Bahia desde 2024. É graduado em direito pela USP (Universidade de São Paulo) e pela Columbia University School of Law. Antes de ingressar na varejista, já havia assumido a posição de diretor jurídico em gigantes do mercado, como na fabricante de aço Gerdau, na mineradora Vale e como diretor executivo da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional).
Também é apresentado no site da empresa como ex-vice-presidente de relações com investidores na Anheuser-Busch Inbev, dona da Ambev., além de membro do Conselho Fiscal do Indes (Instituto para o Desenvolvimento Sustentável).
No seu lugar, Sírley Fabiann Cordeiro de Lima, ex-Heineken, vai ocupar o para o cargo de diretora vice-presidente jurídica e tributária, além de acumular compliance e controle interno.
Os dois membros do conselho de administração que renunciaram (Jackson Medeiros de Farias Schneider e Rogério Paulo Calderón Peres) apresentaram a saída na mesma reunião extraordinária do conselho que aprovou o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia.
Eles também ocupavam cargos em comitês, estruturas internas dos conselhos. No caso de Calderón Peres, era o Comitê de Auditoria Estatutário da companhia, responsável por monitorar a gestão de riscos e a qualidade das demonstrações financeiras da empresa, e entra Cláudia Quintella Woods.
Rogério Paulo Calderón Peres também acumulava assento no Comitê de Finanças, que será agora do administrador André Luiz Helmeister.
Apesar de ter deixado a posição no conselho de administração, Farias Schneider continuará como coordenador do Comitê de auditoria, riscos e compliance e do comitê Independente de investigação da varejista.
Fechamento de lojas, demissões e números fracos
O grupo informa no pedido de recuperação judicial a demissão de cerca de 3.000 funcionários, de 30.117 colaboradores que possui, e o fechamento de quase 300 lojas: segundo o documento, a Casas Bahia possui mais de 700 lojas físicas e o Ponto Frio mais de 65.
Com o prejuízo informado neste domingo, a Casas Bahia registra o seu oitavo trimestre seguido de perdas.
Na petição inicial para o pedido de recuperação judicial, a Casas Bahia solicita uma série de medidas de urgência para evitar a paralisação imediata das operações.
A maior preocupação do grupo reside no risco de vencimento antecipado de mais de R$ 10 bilhões em contratos financeiros e comerciais. A empresa afirma que, caso os bancos retenham as garantias de cartão de crédito e Pix, até 60% da entrada mensal de caixa seria drenada imediatamente, inviabilizando o negócio.
Nas redes sociais, ex-funcionários publicaram sobre as demissões. “Pensa numa notícia triste para mim. Foram 21 anos de Casas Bahia, e receber essa notícia não é fácil”, diz Edson Silva, funcionário da loja localizada no município de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul.
São Paulo, FolhaPress – Maria Clara Matos e Maeli Prado










