Crise no arco de Pazolini: anúncio de vice do PL irrita aliados, e Democrata35-ES convoca reunião para reavaliar apoio

O que deveria ser o dia da consolidação do palanque de Lorenzo Pazolini (Republicanos) para a disputa ao Governo do Estado em 2026 virou um estopim de crise interna. O anúncio previsto para esta sexta-feira (14) da indicação de uma mulher filiada ao Partido Liberal (PL) como vice na chapa provocou forte insatisfação nos bastidores e ameaça provocar a primeira grande baixa no arco de alianças do prefeito de Vitória.

O pivô da discórdia é a marginalização dos partidos da base inicial. Sem ser consultada sobre os rumos da composição, a direção estadual do Democrata35-ES reagiu de forma dura e convocou uma reunião de emergência da sua executiva para reavaliar a permanência no projeto do Republicanos.

“O DEMOCRATA35-ES NÃO FOI OUVIDO. ASSIM SENDO, A EXECUTIVA DO PARTIDO VAI SE REUNIR HOJE PARA REAVALIAR O NOSSO APOIO AO REPUBLICANOS.” — Tenório Merlo, Presidente Estadual do Democrata35-ES

“Banda de música, plumas e paetês”: Os caminhos alternativos

A insatisfação com a condução do Republicanos não se limita ao tom oficial. Nos bastidores, a leitura é de que o Democrata35-ES — apontado por dirigentes como a primeira legenda a marchar ao lado de Pazolini — foi “rifado” em nome do alinhamento irrestrito com o PL do senador Magno Malta.

Uma importante fonte da cúpula do partido revelou que a legenda já estuda desembarcar da chapa e abrir conversas diretas com concorrentes de diferentes espectros ideológicos:

“Nós vamos avaliar nosso caminho e nós temos dois: Ricardo Ferraço (MDB) e Helder (PT). E pode ter certeza: vamos ser recebidos por ambos com tapete vermelho, banda de música, plumas e paetês!”

A fala escancara o nível de desgaste com o núcleo duro da pré-campanha de Pazolini e sinaliza que a base não aceitará um papel meramente figurativo no pleito de 2026.

Hegemonia do PL no palanque irrita aliados

O estopim da revolta é o sentimento de que o PL atropelou os demais parceiros e “loteou” as posições de maior destaque no palanque majoritário. Além da indicação da vice na chapa com Pazolini, os aliados lembram que a vaga ao Senado e as suplências já foram tomadas por articulações fechadas de Magno Malta, sem qualquer rodada de negociação com as demais siglas da coligação.

Monopólio do PL: O partido abocanhou a indicação ao Senado, definiu as suplências sem alinhamento prévio e agora deve ficar com a vice.

Falta de espaço: Siglas fiéis da primeira hora, como o Democrata35, questionam a ausência de espaço no projeto.

Chá de cadeira: A cúpula do Democrata35 reclama de estar há mais de 10 dias pedindo uma agenda formal de discussão com Lorenzo Pazolini, sem qualquer retorno ou sinalização de diálogo.

“E por que o Democrata não aceita uma vice do PL? Porque já tem a indicação do Senado. A Maguinha Malta indicou os dois suplentes dela lá sem ouvir ninguém. Ainda vai ocupar a vice e o Democrata não vai indicar ninguém? Não tem espaço pro Democrata, que foi o primeiro partido a chegar?”, questionou a fonte partidária.

O impasse de Pazolini

A reunião da executiva estadual do Democrata35-ES nesta sexta-feira é o primeiro grande teste de governabilidade política de Lorenzo Pazolini fora dos limites de Vitória.

Embora a aliança com o PL garanta tempo de TV e musculatura no eleitorado conservador da Grande Vitória e do interior, o atropelo dos aliados médios e pequenos pode custar caro à capilaridade da campanha no interior do Estado. Se a debandada se confirmar, Pazolini corre o risco de ver um arco heterogêneo se transformar em uma chapa “puro-sangue” da direita, abrindo espaço para que seus adversários diretos tragam mais siglas e capilaridade territorial para seus palanques.

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