Daqui a cerca de dois meses, no dia 25 de setembro, a seleção italiana terá seu próximo compromisso dentro de campo, quando encara a Bélgica pela estreia da Liga das Nações da Europa, no Estádio Olímpico de Roma.
Até lá, a equipe tetracampeã mundial ainda terá de encontrar um novo treinador, que terá pouco tempo para implementar seu método de trabalho na tentativa de evitar um novo fiasco.
Carregando o trauma de não conseguir a classificação para as últimas três edições da Copa do Mundo, a Azzurra também vem batendo cabeça fora dos gramados, com a FIGC (a federação italiana de futebol) com sérias dificuldades para conseguir encontrar um técnico à altura do desafio.
O atual périplo começou no fim de março, quando a Itália tornou-se a primeira campeã mundial a ficar de fora de três edições consecutivas do Mundial ao ser derrotada na repescagem das Eliminatórias europeias pela Bósnia e Herzegovina, seleção que caiu na fase de 32 da Copa-2026.
Poucos dias depois do fracasso italiano, o ex-volante Gennaro Gattuso, campeão mundial em 2006, deixou o comando da equipe.
Desde então, o time segue à deriva. Nos amistosos contra Luxemburgo e Grécia, no início de junho, o treinador da Itália sub-21, Silvio Baldini, assumiu interinamente. Graças aos gols do centroavante Francesco Esposito, da Inter de Milão, a Azzurra venceu ambos os compromissos por 1 a 0.
No fim do mesmo mês, a seleção italiana iniciou o que viria a se mostrar um tortuoso processo de reconstrução, com a eleição do ex-presidente do CONI (Comitê Olímpico Italiano) Giovanni Malagò para o comando da FIGC.
Ele assumiu no lugar de Gabriele Gravina, cujo mandato iria até 2028, mas que acabou renunciando depois da derrota para Bósnia e Herzegovina.
Um dos primeiros atos de Malagò foi anunciar a contratação de Paolo Maldini como diretor técnico da federação italiana.
O ex-zagueiro que marcou época no Milan e na seleção italiana entre meados dos anos 1980 e 2000 recebeu a missão de encontrar um novo treinador para o lugar de Gattuso.
O brasileiro Leonardo, campeão mundial com o Brasil em 1994 e que passou a atuar como dirigente esportivo na Itália após pendurar as chuteiras, atua como consultor do projeto.
O primeiro nome que a dupla escolheu para ir atrás foi o de Carlo Ancelotti, com contrato recentemente renovado com a seleção brasileira até a Copa do Mundo de 2030.
“Francamente, pareceu certo começar com aqueles que consideramos os melhores”, disse Maldini, que chegou a jogar ao lado do ex-meio-campista Ancelotti e também foi treinado por ele no Milan.
Com a permanência do italiano confirmada pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol), mesmo após a eliminação precoce para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo, Maldini e Leonardo resolveram partir para o plano B: o espanhol Pep Guardiola, que deixou o Manchester City em maio, após uma década de títulos em série na Inglaterra.
“Obrigado, fico honrado, mas não me sinto preparado neste momento”, teria dito um dos principais técnicos do século 21, ao responder ao convite da FIGC.
Com a segunda negativa em sequência, a terceira opção foi Andrea Pirlo, um dos principais meio-campistas de sua geração, mas ainda bem longe do status de Ancelotti e Guardiola no cargo de treinador.
Desde sua aposentadoria dos gramados, Pirlo comandou Juventus, Karagümrük (da Turquia), Sampdoria, e está desde a temporada passada no Dubai United, dos Emirados Árabes Unidos.
O ex-jogador já havia acenado positivamente ao interesse da federação italiana, e seu anúncio oficial parecia apenas uma questão de tempo, até que uma relação comercial com uma empresa de apostas russa fez o plano desandar.
Desde 2025, Pirlo é um dos principais garotos-propaganda da Fonbet, bet russa fundada em 1994 pelo empresário Anatoly Machulsky, com sua indicação ao posto de treinador da Itália atraindo uma enxurrada de críticas de políticos italianos, a Itália apoia a Ucrânia contra a invasão russa, iniciada em meados de 2022.
“Lamento que uma decisão fundamentada em critérios esportivos rapidamente tenha se tornado uma polêmica pública na qual atribuíram a mim intenções e ideias que não refletem a minha personalidade”, escreveu o jogador em publicação nas redes sociais.
Com mais uma tentativa fracassada de encontrar um novo comandante, dois nomes experientes que já passaram pela Azzurra passaram a ser cogitados: Antonio Conte, que levou a equipe até as quartas de final da Eurocopa de 2016, e Roberto Mancini, que conquistou o título da principal competição europeia de seleções, em 2020.
No entanto, Maldini e Leonardo já teriam levado à federação sua insatisfação com ambos os nomes, que não estariam alinhados ao projeto desenhado por eles para a seleção. A dupla cogita inclusive renunciar aos respectivos cargos, caso um dos dois venha a ser confirmado.
Segundo a mídia italiana, o principal alvo no radar do diretor técnico da FIGC e de seu consultor no momento seria o ítalo-brasileiro Thiago Motta.
Com uma ainda curta carreira como treinador, o ex-volante acumula, desde 2019, passagens por Genoa, Spezia, Bologna e Juventus. Motta está livre no mercado desde o início de 2025, após ser demitido pela diretoria da Juventus na esteira de duas duras derrotas, por 4 a 0 para a Atalanta, e por 3 a 0 para a Fiorentina.
LUCAS BOMBANA, SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)










