A engrenagem das eleições no Espírito Santo ganhou um novo componente de tensão que redesenha as articulações partidárias. Ao reagir publicamente aos impasses na construção da chapa de apoio à pré-candidatura de Lorenzo Pazolini (Republicanos) a governador, o presidente estadual do PSD, Renzo Vasconcelos, estabeleceu uma linha de corte clara sobre o comportamento de aliados na mesa de negociações. O estopim para a mudança de postura da sigla foi a imposição de restrições por parte do PL, que tentou barrar nomes históricos do tabuleiro capixaba, como o ex-governador Paulo Hartung e o deputado Sergio Meneguelli.
“Quando você está em grupo não pode dialogar individualmente. O PSD tem comando, tem liderança”, disparou Renzo Vasconcelos, explicitando o descontentamento com o redirecionamento negociado pelo Republicanos.
Bastidores e o racha na chapa de Lorenzo Pazolini
Até então, os bastidores políticos da capital apontavam o PSD como o destino provável da vaga de vice na chapa de Pazolini, com o nome de Lívia Vasconcelos fortemente cotado ou de Guerino Zanon. Contudo, a tentativa do PL de condicionar o acordo com o Republicanos a restrições futuras — mirando o Senado — foi recebida pelo PSD como uma interferência direta em sua soberania partidária.
O PL, leia-se, o presidente do partido, senador Magno Malta – prioriza a candidatura de sua filha, Maguinha, ao Senado. Por isso, tirar os players do PSD, foi o preço da “aliança da direita”.
A reação foi imediata: uma reunião de cúpula em Vitória Renzo se reuniu com Lívia, Aridelmo Teixeira e o próprio Paulo Hartung e, numa consulta direta ao presidente nacional, Gilberto Kassab, a liderança capixaba recebeu o aval para “fazer a melhor composição”. Na prática isso significa que o partido não se sujeitará a pressões externas e se coloca pronto para o chamado “voo solo”.
Diálogo com Ricardo Ferraço e Helder Salomão indica nova rota
Como desdobramento prático do freio nas conversas com o grupo de Pazolini, o PSD acionou pontes em direções opostas do espectro político. O comando da legenda confirmou que vai exaurir o diálogo em rodadas de conversa com o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) e com o deputado federal Helder Salomão (PT).
Essa movimentação pragmática cumpre um duplo papel no xadrez político do Espírito Santo:
Pressão: Demonstra ao bloco de Lorenzo Pazolini que o PSD tem alternativas viáveis de peso.
Autonomia: Sinaliza a capacidade do partido de negociar de forma ampla, seja compondo uma nova frente ao centro e à esquerda, seja consolidando uma chapa puro-sangue para o pleito.
Caso as novas tratativas não resultem em um acordo majoritário que respeite a relevância da sigla, o plano B já está traçado: o recuo para uma candidatura isolada, onde Lívia Vasconcelos passaria a ser peça-chave na composição interna, inclusive liderando uma chapa coesa de candidatos a deputado federal.
Leia a nota na íntegra:
“Nesta segunda-feira (20), na sede estadual do partido, realizamos um encontro com a participação de importantes lideranças, entre elas do amigo e ex-governador Paulo Hartung, e com o aval do presidente nacional, Gilberto Kassab, onde definimos a abertura do diálogo com os pré-candidatos ao Governo do Estado.
O cenário político mudou, e nós do PSD estamos atentos. A partir de agora, iniciaremos uma agenda de diálogo, ouvindo todas as forças políticas, sempre colocando os interesses dos capixabas acima de qualquer projeto pessoal, contudo, alinhando o protagonismo do partido no futuro político que o Espírito Santo escolherá para os próximos anos.
Construímos, ao longo dos últimos anos, uma trajetória que nos credencia a disputar os principais cargos eletivos. Temos tamanho político, lideranças reconhecidas e nomes competitivos para o Governo do Estado e para o Senado, como já demonstram em diferentes pesquisas realizadas.
O PSD participará desse processo com responsabilidade e espírito democrático, dialogando com todos aqueles que compartilham o compromisso com o desenvolvimento do Espírito Santo. Seguiremos fortalecendo o partido e trabalhando para construir um projeto sólido, capaz de responder aos desafios do presente e às expectativas dos capixabas.”










