A Polícia Civil desmantelou dois grupos investigados por furtos dentro de uma mineradora no Espírito Santo. Segundo as investigações, os esquemas funcionavam de forma independente, mas atuaram ao mesmo tempo e causaram prejuízos que podem ultrapassar R$ 1,5 milhão.
Ao todo, sete pessoas foram presas. Quatro são apontadas como integrantes de um grupo que desviava bobinas de cobre e outras três faziam parte de um esquema de furto de baterias estacionárias.
De acordo com a polícia, a maioria dos envolvidos era formada por funcionários ou trabalhadores terceirizados da própria empresa. No total, 13 pessoas foram indiciadas.
Grupo desviava materiais e falsificava documentos
No caso das bobinas de cobre, quatro suspeitos foram presos no início de junho e outras três pessoas foram indiciadas. De acordo com a investigação, cada integrante tinha uma função específica dentro do esquema.
Segundo a Polícia Civil, o líder do grupo identificava quais bobinas seriam retiradas e informava a quantidade e as características do material a um comparsa que atuava fora da empresa. Esse homem produzia e-mails e notas fiscais falsos para dar aparência de legalidade ao transporte da carga.

Presos e denunciados pelo Ministério Público que fazem parte do grupo que furtou as bobinas de cobre: Ernande Pacheco Martins, Cristiano Macedo Dessaune, Francisco Tiago Guerra e Angles Klitzke Detman.
Com os documentos falsificados, um motorista chegava à mineradora em um caminhão, utilizava um crachá de funcionário para entrar no local e, com a ajuda de outros envolvidos, carregava o veículo com as bobinas. Na saída, apresentava a documentação falsa na portaria e deixava a empresa com o material, que depois era revendido.
Imagens das câmeras de segurança da mineradora e do sistema de videomonitoramento da cidade ajudaram a comprovar a movimentação dos suspeitos. Os registros mostram, inclusive, o caminhão seguindo para Guarapari carregado e retornando vazio após a entrega da carga.

Ainda segundo a polícia, o grupo atuava desde novembro de 2025 e todos os investigados confessaram participação no esquema. Eles vão responder por furto qualificado, associação criminosa e atuação em grupo.

Indiciados e denunciados pelo Ministério Público (fazem parte do grupo que furtou as bobinas de cobre): Robson Rodrigues de Almeida, Weverton Dias de Oliveira e Aldierio Viana Guimarães
Segundo grupo desviava baterias
Durante as investigações, a polícia identificou outro esquema funcionando dentro da mesma mineradora. Desta vez, o alvo eram baterias estacionárias utilizadas em locomotivas e nos sistemas de alarme contra incêndio.
As baterias que já haviam perdido parte da vida útil eram armazenadas em um depósito da empresa enquanto aguardavam o descarte. Segundo a investigação, funcionários e terceirizados aproveitavam essa situação para retirar os equipamentos de forma irregular.

A polícia informou que um comerciante, dono de uma loja de baterias, emprestava seu carro aos envolvidos. Na portaria da mineradora, o grupo informava que faria serviços de manutenção. Enquanto isso, um funcionário responsável pelo depósito separava as baterias que ainda podiam ser reutilizadas e entregava o material aos comparsas.
Mais uma vez, imagens de câmeras de segurança foram fundamentais para comprovar a participação dos suspeitos.
Durante as buscas, os investigadores encontraram 20 baterias na loja que comercializava os equipamentos sem autorização. O proprietário não estava no local. Porém, a polícia retornou à mineradora e encontrou três suspeitos retirando baterias, que foram detidos em flagrante.
Prejuízo pode ser ainda maior
A estimativa é que apenas o esquema de furto das bobinas de cobre tenha causado um prejuízo mínimo de R$ 1,5 milhão à mineradora.
Já no caso das baterias, em apenas um dia foram registrados cinco furtos, com prejuízo estimado em cerca de R$ 20 mil. Porém, a Polícia Civil acredita que o valor seja muito maior, já que o grupo investigado atuaria desde 2022.
Apesar de terem agido na mesma empresa, a investigação concluiu que os dois grupos não tinham ligação entre si.
As investigações continuam para identificar outras pessoas que possam ter comprado os materiais desviados. Segundo a polícia, quem adquiriu os produtos sabendo da origem irregular também poderá ser responsabilizado.










