Monjardim critica briga pela presidência da Câmara e diz que vereadores abandonaram projetos da cidade

A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Vitória deixou os edis com os ânimos exaltados durante os debates no plenário nesta terça-feira (14), mas, antes de deixar a sessão para cumprir um compromisso, o vereador Leonardo Monjardim (Novo) fez um duro pronunciamento contra o clima de confronto entre parlamentares. Em tom de crítica, afirmou que as discussões sobre a eleição da Mesa Diretora estão desviando o foco dos temas de interesse da população e prejudicando a votação de projetos considerados importantes para a capital. O parlamentar citou até chantagem para que projetos fossem aprovados.

Ao iniciar sua fala, Monjardim disse que decidiu permanecer por mais alguns minutos na sessão diante do rumo que o debate havia tomado. “O eleitor vai às urnas eleger um vereador para representar sua região, sua cidade, seu segmento. A gente tem que usar esse plenário para discutir políticas públicas, benfeitorias para a cidade, desenvolvimento, educação, saúde e segurança. Essa discussão traz um prejuízo muito grande para a Casa. Já está ficando chato”, afirmou.

O vereador defendeu que os parlamentares foram eleitos para representar a população e discutir políticas públicas, e não concentrar os esforços na disputa pela presidência do Legislativo. Segundo Monjardim, o interesse demonstrado pelos vereadores durante as sessões evidencia uma inversão de prioridades.

“Há uma discrepância muito grande neste plenário. Quando a gente fala de projetos, não há importância. Os vereadores só se interessam quando o assunto é presidência”, disse.

O parlamentar questionou a necessidade de antecipar a eleição da Mesa Diretora e lembrou que há prazo para a escolha do novo comando da Câmara. “Por que se luta tanto para fazer essa eleição agora? Nós temos até o dia 31. O vereador Dalto foi feliz quando disse que, primeiro, nós temos que ter um presidente nesta Casa, e teremos um presidente eleito democraticamente. Agora, essa briga não pode paralisar a discussão da cidade de Vitória”, afirmou.

Durante o pronunciamento, Monjardim citou como exemplo um projeto de sua autoria que, segundo ele, deixou de avançar em razão das discussões sobre a presidência da Câmara.

“Nós ontem sepultamos um projeto importante para a cidade de Vitória. É um projeto para orientar as famílias sobre educação financeira, num momento em que o país vive um cenário em que 80% das famílias brasileiras estão endividadas e mais de 50% dos cidadãos têm alguma restrição cadastral porque não tiveram oportunidade de aprender a administrar suas finanças. Mas vocês não ficaram preocupados com esse projeto. Vocês estão discutindo presidência da Câmara. Isso é inadmissível”, declarou.

Embora tenha reconhecido o direito dos vereadores de disputarem o comando do Legislativo, Monjardim afirmou que o processo não pode comprometer o funcionamento da Casa. “Se Vossa Excelência quer ser presidente (se referindo a Dalto Neves), tem todo o direito e tem apoio de 16 vereadores, mas não pode fazer isso. Tem que ter compromisso com a sociedade”, disse.

O vereador também saiu em defesa da condução dos trabalhos pelo presidente da Câmara, Anderson Goggi (Republicanos), afirmando que os projetos apresentados pelos parlamentares têm sido pautados regularmente. “Ficam aqui acuando o presidente, que está trabalhando diuturnamente por esta Casa, buscando melhorar a infraestrutura e pautar os projetos de todos os vereadores. Ele nunca obstruiu sequer um projeto de algum vereador”, afirmou.

Na parte final do discurso, Monjardim revelou que participou de conversas para tentar construir um entendimento entre os grupos políticos envolvidos na disputa pela Mesa Diretora. Segundo ele, o objetivo era buscar uma solução consensual para evitar o agravamento do conflito. “Quero pacificar a Câmara. Até ontem eu não tinha dificuldade de votar no vereador Dalto. Conversei com a prefeita Cris Samorini para tentar construir essa pacificação”, afirmou.

O parlamentar também criticou a postura adotada por um dos vereadores (Dalto Neves) durante as negociações, relatando que recebeu pressão em torno da votação de projetos.

“Não gostei da sua postura de ontem comigo. Chegar com papel e dizer: ‘se não assinar aqui, eu não voto seu projeto’, ‘vamos endurecer esse jogo’, ‘vamos para o enfrentamento’. Vocês não vão acuar ninguém nesta tribuna nem neste plenário”, declarou.

O pronunciamento ocorreu em meio à discussão sobre o Projeto de Resolução nº 08/2026, que altera o Regimento Interno da Câmara Municipal e trata das regras para a eleição da Mesa Diretora. A proposta segue em tramitação, enquanto a definição da data da eleição continua sendo alvo de divergências entre os parlamentares.

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