As costuras de bastidores para as eleições no Espírito Santo provocaram uma reação contundente na base partidária da direita capixaba. O vereador de Vitória, Dárcio Bracarense (PL), criticou como tem sido noticiada a condução das conversas em Brasília entre o senador Magno Malta e o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira. Para o parlamentar municipal, há um “afobamento e desespero” por parte de lideranças ligadas ao ex-prefeito Lorenzo Pazolini e ao presidente estadual da sigla parceira, Erick Musso, para impor o apoio do PL ao governo do Estado, invertendo o real peso político dos partidos na mesa de negociações.
“Falta de humildade” e herança de “certo ex-governador”
O tom crítico de Bracarense mirou diretamente o comportamento estratégico adotado no diálogo. Segundo ele, o Republicanos age de forma a parecer o polo dominante da relação, o que configuraria um erro de leitura política.
“Existe uma falta de humildade implícita, característica de um certo ex-governador, por sinal”, afirmou Dárcio Bracarense, em menção velada ao ex-governador Paulo Hartung (PSD), historicamente associado a articulações centralizadas nos bastidores do Estado.
O vereador questionou o fato de o presidente do PL capixaba ter se deslocado até a capital federal para selar o acordo. Na visão de Bracarense, a dinâmica deveria ser inversa: “O deslocamento está no Magno Malta, é ele que vai atrás. Magno Malta vai a Brasília buscar uma aliança com um grandioso Republicanos. A maior liderança política do Brasil em atividade tem nome e sobrenome, Jair Messias Bolsonaro, do PL, partido que Magno Malta preside. Existe, sim, o interesse dos republicanos, mas eles fazem parecer o oposto”, completou.
Cobrança por pautas ideológicas e “presos políticos”
Embora admita que a aliança eleitoral possa vir a se concretizar para a disputa ao Palácio Anchieta, a ala conservadora do PL exige contrapartidas ideológicas firmes para caminhar junto a Lorenzo Pazolini. O parlamentar de Vitória enfatizou que o Republicanos precisa validar a trajetória de enfrentamento e as bandeiras históricas dos liberais antes de dar o acordo como fechado.
De acordo com o vereador, a liderança republicana capixaba falhou ao não se posicionar com firmeza em momentos cruciais para a direita, citando especificamente a defesa dos presos políticos pós-2022, o direito à legítima defesa e os princípios de liberdade econômica. Para Bracarense, o apoio formal do partido de Jair Bolsonaro não pode ocorrer sem que essas pautas sejam assimiladas e respeitadas pelo bloco liderado por Erick Musso.










