Celebrado nesta terça-feira (8), o Dia Mundial da Alergia chama a atenção para o crescimento das doenças alérgicas e a importância do diagnóstico precoce. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, até 2030, metade da população mundial poderá desenvolver algum tipo de alergia, seja respiratória, alimentar ou de pele.
Atualmente, entre 30% e 40% da população mundial convive com alguma doença alérgica, segundo a Organização Mundial da Alergia (WAO). No Brasil, cerca de 61 milhões de pessoas apresentam algum tipo de alergia.
O aumento dos casos também tem refletido na procura por atendimento especializado. Um levantamento do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) aponta que as consultas com alergistas e imunologistas cresceram 42,1% entre 2019 e 2022.
Por que as alergias estão aumentando?
Segundo o alergista e professor da Afya Educação Médica Belo Horizonte, Maurício Domingues Ferreira, o crescimento das alergias está relacionado a uma combinação de fatores ambientais e comportamentais.
Entre eles estão a urbanização, a poluição do ar, as mudanças climáticas, o uso frequente de antibióticos, alterações na alimentação e a redução do contato com ambientes naturais, fatores que afetam a microbiota e o funcionamento do sistema imunológico.
“A urbanização, o menor contato com a natureza, o uso frequente de antibióticos, as mudanças na alimentação e o maior consumo de alimentos ultraprocessados reduzem a diversidade da microbiota. Paralelamente, poluição, fumaça e outros poluentes danificam as barreiras naturais do organismo e favorecem o desenvolvimento das alergias”, explica.
Quais são as alergias mais comuns?
As doenças alérgicas podem afetar diferentes órgãos e variar de sintomas leves a quadros graves.
Entre as mais frequentes estão:
- Rinite alérgica;
- Asma;
- Dermatite atópica;
- Urticária;
- Alergias alimentares;
- Alergias a medicamentos;
- Reações a picadas de insetos.
Segundo o especialista, algumas dessas condições podem comprometer o sono, o desempenho escolar e a qualidade de vida e, em casos mais graves, provocar reações potencialmente fatais, como a anafilaxia.
Crianças exigem atenção
As alergias costumam surgir ainda na infância. Dados do Estudo Internacional de Asma e Alergias na Infância (ISAAC) indicam que a rinite alérgica atinge aproximadamente 26% das crianças e 30% dos adolescentes.
A pediatra Glenia Junqueira Machado Medeiros explica que os principais sintomas são espirros frequentes, coriza, coceira no nariz e nos olhos, além de obstrução nasal persistente.
Se não tratada, a respiração constante pela boca pode interferir até no desenvolvimento da face e da arcada dentária.
Como reduzir o risco?
Embora a genética tenha papel importante, algumas medidas ajudam a diminuir o risco de desenvolver doenças alérgicas:
- Manter o aleitamento materno exclusivo até os seis meses;
- Evitar a exposição ao cigarro durante a gestação e na infância;
- Manter os ambientes ventilados e livres de mofo e umidade;
- Reduzir a exposição à fumaça, poeira e outros irritantes;
- Estimular o contato com ambientes naturais, quando possível.
Segundo os especialistas, o diagnóstico precoce e o acompanhamento médico são fundamentais para controlar os sintomas, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.










