Férias escolares: como tirar crianças das telas e da rotina

A chegada do mês de julho traz as férias escolares e, com elas, uma mudança drástica na rotina das famílias capixabas. O período de recesso das aulas e de atividades extracurriculares costuma ser marcado por mais tempo livre e lazer, mas também acende um alerta para os pais: a tendência de isolamento e o aumento do tempo dedicado a celulares, tablets e televisores. Médicos alertam que a falta de estímulo pode resultar em sedentarismo e na flexibilização excessiva de hábitos saudáveis na infância e adolescência.

Riscos do tempo de tela e abandono de hábitos saudáveis

De acordo com o endocrinologista pediátrico Miguel Liberato, o período sem aulas desregula o cotidiano e favorece o desvio para o sedentarismo.

“No período de férias, temos uma flexibilização tanto da alimentação quanto da atividade física. Acabamos permitindo uma rotina alimentar menos saudável e uma redução da prática de atividade física regular, que consequentemente é desviada com aumento do tempo de tela”, explica o especialista.

A ausência de exercícios impacta diretamente a saúde a longo prazo. A atividade física contínua na infância é um dos pilares para o fortalecimento muscular e ósseo, regulação do sistema imunológico, controle do peso, da pressão arterial e dos níveis de glicose e colesterol, além de atuar no desenvolvimento social e na autoestima.

Como substituir o celular por atividades físicas nas férias

Com o fechamento temporário de escolinhas de esporte e cursos, o desafio das famílias é encontrar alternativas práticas para ocupar o tempo dos filhos. O médico pontua que não há necessidade de matrículas em modalidades formais para que a criança se mantenha ativa. A orientação principal é priorizar a ocupação de espaços ao ar livre, praças e parques.

“Para o corpo da criança, não importa a atividade. Temos que aproveitar o maior tempo livre para levar essas crianças para fora de casa, estimular brincadeiras que envolvam pulos, corridas, brincadeiras em piscinas e até passeios de bicicleta”, orienta Liberato.

Recomendações por idade para crianças e adolescentes

Os estímulos devem respeitar a faixa etária do menor, começando logo nos primeiros meses de vida e se estendendo até a juventude.

  • De 3 a 5 anos: A recomendação médica inclui andar de bicicleta, brincadeiras com bola, jogos de perseguição (como pega-pega), atividades aquáticas, dança, natação e introdução lúdica a artes marciais.

  • Dos 6 aos 19 anos: A orientação de saúde estabelece o mínimo de 60 minutos diários de atividades físicas com intensidade moderada a vigorosa. Entram na lista esportes coletivos, ciclismo, natação e treinos que estimulem a resistência de músculos e ossos.

O especialista conclui que o foco em combater a inatividade física no recesso escolar reflete na vida adulta. Jovens que mantêm o corpo em movimento durante as pausas letivas apresentam uma probabilidade significativamente maior de consolidar uma rotina saudável e ativa na maturidade.

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