A Guarda Civil Municipal de Vitória realizou, nos últimos dois meses, ações para remover pichações e símbolos associados a facções criminosas em 20 pontos da capital. As intervenções ocorreram em muros, quadras, praças, escadarias e outros espaços públicos.
A iniciativa envolve a identificação dos locais pela Guarda de Vitória e a atuação conjunta com outros setores da Prefeitura, responsáveis pela limpeza, manutenção e pintura das áreas afetadas.
Segundo a administração municipal, a retirada dessas inscrições tem sido tratada não apenas como uma ação de conservação urbana, mas também como uma medida relacionada à segurança pública, já que marcas atribuídas a grupos criminosos podem ser usadas para transmitir mensagens de intimidação e demarcação territorial.
O secretário de Segurança Urbana de Vitória, Amarílio Boni, afirmou que esse tipo de inscrição pode funcionar como um marcador de domínio de território por grupos criminosos.
“Em estudos e pesquisas da área da segurança urbana, pichações com referências a facções criminosas são tratadas como marcadores de domínio territorial, usadas para impor medo, intimidar a população, demarcar áreas de influência e reforçar a presença de grupos criminosos em determinadas comunidades”, disse.
Prefeitura atua na limpeza e recuperação dos espaços
Após a identificação das pichações, os locais são incluídos em mutirões que podem envolver limpeza do entorno, pintura de muros e recuperação de equipamentos públicos.
De acordo com a Guarda de Vitória, a atuação busca evitar que esses espaços sejam utilizados para reforçar mensagens relacionadas à criminalidade e melhorar as condições de uso pela população.
“Quando o poder público age rapidamente para remover esse tipo de marca, ele deixa claro que aquele espaço pertence ao cidadão, e não ao crime”, afirmou Amarílio Boni.
A comandante da Guarda de Vitória, Fabiana Gonçalves, destacou que a permanência dessas inscrições pode aumentar a sensação de insegurança entre moradores e comerciantes.
“A retirada rápida desses símbolos ajuda a romper a naturalização dessas marcas e evita que a paisagem urbana seja usada como instrumento de ameaça ou propaganda criminosa”, declarou.
Pichação é crime, mas não se confunde com grafite autorizado
A Guarda Municipal também reforçou que pichações configuram crime e não devem ser confundidas com o grafite, manifestação artística reconhecida quando realizada de forma autorizada.
Segundo a corporação, a pichação é considerada crime ambiental, com previsão de pena de detenção de até um ano e aplicação de multa.
Guarda de Vitória aposta em tecnologia e inteligência
Além das ações de remoção de pichações, a Guarda Civil Municipal informou que mantém operações preventivas com apoio de tecnologia, capacitação de agentes e atuação da Gerência de Inteligência.
Segundo os dados divulgados pela corporação, em 2026 já foram realizadas 124 blitze, com a recuperação de mais de 63 veículos e a detenção de 55 suspeitos. No mesmo período, foram cumpridos 93 mandados de prisão e registrados cerca de 9,2 mil atendimentos via Ciodes-190.
A Guarda também informou contar com 1.158 câmeras de monitoramento distribuídas pela cidade para auxiliar no acompanhamento do fluxo viário e de ocorrências.
De acordo com dados do Observatório de Segurança Pública apresentados pela corporação, Vitória registrou, entre janeiro e maio, redução de 28% nos crimes de mortes violentas e queda de 19% nas mortes no trânsito em comparação ao mesmo período do ano anterior.
No mesmo intervalo, os roubos de veículos tiveram redução de 21%, enquanto os roubos de celulares caíram 28% e os roubos em transporte coletivo apresentaram queda de 60%.










