Suely Bispo encerra o ciclo de podcast com debate sobre literatura e direitos humanos

A escritora, historiadora e atriz Suely Bispo, uma das principais referências da literatura contemporânea do Espírito Santo, participa nesta segunda-feira (6) do último episódio da primeira temporada do podcast Elas EScrevem. Com o tema “Literatura como direito humano”, a entrevista será transmitida ao vivo, às 20 horas, no canal Feijão com Maionese, no YouTube, encerrando um ciclo que reuniu 12 escritoras capixabas ao longo de sete meses.

Apresentado pelas escritoras Kátia Fialho e Carla Guerson, o projeto foi realizado com recursos da Lei Aldir Blanc de Cariacica e tem como proposta ampliar a visibilidade da produção literária feminina no Espírito Santo.

Podcast reuniu escritoras do Espírito Santo durante sete meses

Ao longo da primeira temporada, o Elas EScrevem promoveu entrevistas com autoras capixabas para discutir literatura, criação literária, memória, identidade, mercado editorial e outros temas relacionados à escrita produzida por mulheres.

Para Suely Bispo, o projeto contribui para fortalecer a presença feminina na literatura do Estado.

“É uma honra fazer parte desse time de mulheres. O projeto traz visibilidade para a nossa escrita. As curadoras tiveram o cuidado de trazer uma pluralidade de vozes. Isso é importante, pois as mulheres foram silenciadas muitas vezes”, afirma.

Segundo Kátia Fialho, o encerramento da primeira temporada simboliza o reconhecimento da trajetória de uma autora considerada referência para diversas gerações de escritoras capixabas.

“Suely, além de multiartista, é uma das mais celebradas autoras do nosso estado. Seu talento, sua generosidade, sua trajetória e, sobretudo, a pujança de sua existência nos conclamam a reverenciar a produção literária feminina”, destaca.

As organizadoras informam que pretendem realizar uma nova temporada do podcast. A proposta foi inscrita no edital de Cultura Digital da Secretaria da Cultura do Espírito Santo (Secult), cujo resultado ainda será divulgado.

Obra resgata a história do movimento negro no Espírito Santo

Entre os trabalhos mais conhecidos de Suely Bispo está “Resistência Negra na Grande Vitória: dos quilombos ao Movimento Negro”, publicado originalmente em 2006 e relançado em 2025 em edição revisada e ampliada.

A obra apresenta um panorama da resistência da população negra desde o período da escravidão até a organização do movimento negro contemporâneo, com destaque para acontecimentos e organizações que marcaram a história do Espírito Santo.

O livro aborda temas como os quilombos, a Frente Negra Brasileira, a imprensa negra e o processo de organização dos movimentos sociais negros, dedicando atenção especial à realidade da Grande Vitória.

Na nova edição, a autora preserva o texto original, mas incorpora acontecimentos posteriores à primeira publicação, incluindo o fortalecimento da literatura negra, da produção audiovisual e das políticas de ação afirmativa, como as cotas raciais em universidades e concursos públicos.

O volume também amplia o espaço dedicado à produção artística negra, com um capítulo escrito em parceria com Mirtes Santos, advogada quilombola da comunidade de Angelim, no Sapê do Norte, região que abrange os municípios de Conceição da Barra e São Mateus.

Nova obra reúne poemas, contos e crônicas

Além da pesquisa histórica, Suely Bispo possui trajetória consolidada na poesia.

É autora dos livros “Desnudalmas”, lançado em 2009, e “Lágrima Fora do Lugar”, publicado em 2016, obras que exploram temas como relações afetivas, amor, solidão e identidade.

Ainda este ano, a escritora prepara o lançamento de “Híbrida”, livro que reúne poemas, contos e crônicas produzidos ao longo dos últimos anos.

Entre os textos está “De Pele e Olfato”, escrito durante a pandemia de Covid-19, além da “Crônica de uma Ausência”, que aborda a menopausa sob uma perspectiva literária, tema que vem ganhando espaço no debate público.

Trajetória une literatura, teatro, cinema e televisão

Suely Bispo encerra o ciclo de podcast com debate sobre literatura e direitos humanosFormada em História pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Suely Bispo iniciou sua relação com a literatura por meio do teatro, ao integrar o grupo Guardiões da Poesia, que reunia performance e produção literária.

Há mais de três décadas, também faz parte do Grupo de Teatro Experimental Capixaba, um dos coletivos mais tradicionais das artes cênicas no Estado.

Sua atuação inclui trabalhos no Teatro Du Beco, onde participa de montagens já consolidadas no calendário cultural de Vitória, como “O Galo de Belém” e “Auto da Paixão de Cristo”.

Em 1998, protagonizou o monólogo “Shakespearianas”, dirigido por Paulo de Paula, interpretando quatro personagens femininas da obra de William Shakespeare: Julieta, Ofélia, Desdêmona e Lady Macbeth.

Reconhecimento também no audiovisual

A trajetória artística de Suely Bispo também se estende ao cinema e à televisão.

A atriz participou de mais de 20 produções audiovisuais e integrou o elenco da novela “Velho Chico”, da TV Globo, em 2016, interpretando a personagem Doninha.

Em reconhecimento à contribuição para o audiovisual capixaba, foi homenageada durante a 31ª edição do Festival de Cinema de Vitória, realizada em 2024.

A participação da escritora no Elas EScrevem encerra a primeira temporada do podcast com uma discussão sobre literatura, direitos humanos e o papel da produção cultural na preservação da memória e na ampliação do acesso à leitura, temas centrais na trajetória da autora capixaba.

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